A gente pisca o olho e de repente já é fevereiro. Antigamente não falávamos tanto em correria, no mundo girando rápido, coisas desse tipo. A gente era mais tranquilo com tudo, as agendas tinham mais brechas, coisas desse tipo, também. E o que é mais surpreendente: as 24 horas diárias de 30 ou 50 anos atrás eram as mesmas de hoje. Já parou para pensar nisso?
Nas boas épocas lá de trás o pai e a mãe, o avô e a avó sentavam na varanda tomar um mate às seis e pouco da tarde, jantavam mais cedo e esperavam pelo jornal das oito que hoje nem mais às oito começa. E era um clima bom, leve, menos calor, nenhum borrachudo, os problemas pareciam ser mais amenos. Hoje...
As coisas mudam e a gente vai se adaptando, não tem jeito. Vejo pelo meu tio que tempos atrás achava celular uma bobagem e hoje, se precisar regar uma planta, lá vai ele fazer um vídeo e postar. E quanto aos nossos filhos? Eles fazem parte da geração das telas e um dia ainda vão rir quando falarmos que esse papel aqui, ó, se chamava dinheiro e que a gente usava para pagar contas. Anote e me cobre.
Mas também existem coisas que nunca mudam. Como, por exemplo, Grêmio e Inter lutar bravamente pelo Gauchão muito mais para não deixar o outro conquistar do que propriamente por ser uma grande conquista para si próprio. Óbvio que título é título e na teoria a prioridade da corneta é ser campeão para depois dizer ao rival que ele não venceu. Imagine esse ano, onde um pode se igualar ao outro em títulos consecutivos... Uma coisa acaba ligando à outra.
Mas tem algo que é preocupante e vem se acentuando cada vez mais: do jeito que a coisa está indo, o que vai sobrar para nós é somente o Gauchão mesmo. Estamos nos nivelando a clubes outrora medianos e aqui cito, por exemplo, Fortaleza e Bahia. Estamos nos alocando ao grupo de coadjuvantes, dando uma real impressão de que ganhar algo de peso será uma eventualidade. Tipo um Novo Hamburgo ou um Caxias ganhar nosso Estadual, por exemplo.
Precisamos dar um jeito para ao menos nos mantermos competitivos. É claro que não há milagres, para isso acontecer precisaríamos de investidores, talvez seguirmos a tendência de virarmos SAF, embora isso seja um assunto para um debate bem mais ampliado e que divide opiniões. Mas o fato é que se continuarmos com nossos tipos de gestões atuais, o poço seguirá sem fundo.
E assim a gente vai seguindo. Com coisas que mudam quase que diariamente, com coisas que nunca mudam. Tudo é questão de adaptação ao novo ou de manter o antigo que continua sendo bom. Tem a opção do misto, também, como tomar um mate de tardinha com a patroa e volta e meia cada um zapear o seu celular, possivelmente curtindo algum vídeo do meu tio. Ficaria mais equilibrado entre a modernidade e os velhos tempos.
