O Astronauta
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sexta, 21 de fevereiro de 2025

Cheguei a pensar em ser astronauta. Coisa de criança, imaginação a milhão. Mas foi só eu virar adolescente e entender melhor como funcionava o negócio que acabei desistindo. A princípio pensei que seria impossível, mas essa tese foi pelo ralo quando analisei que volta e meia alguém se torna astronauta. Então, se é possível para um, também pode ser possível para outro. Logo, não seria impossível.

 

Só que as coisas não seriam simples. A preparação geral para se habilitar (principalmente a psicológica), a forma com que se alimentam quando estão em órbita, o tempo longe da família, não poder dar aquela corridinha de fim de tarde, entre tantas coisas que a gente acaba tendo que se privar fez com que a ideia fosse abortada.

 

Muitas vezes a vida acaba levando a gente para rumos bem diferentes daqueles que a gente sonhava em tempos de criança. Tenho um amigo que dizia que queria ser dono de cartório só por que o escrivão, na época, não deixou que ele trocasse de nome. Sim, isso aconteceu. Por fim se tornou policial civil. E segue com o mesmo nome até hoje. Uma amiga de primeiras séries tinha o desejo de ser trapezista, mas acabou se encontrando na psicologia. E nem vamos comentar os tantos e tantos que pensaram em ser jogadores de futebol e viraram médicos, dentistas, contadores, entre outras profissões. A parte boa é que sonhar sempre é permitido.

 

Ainda quanto a ser astronauta, eu gostava de ver na TV os foguetes sendo lançados das plataformas e de lá sumindo no infinito do céu. Também gostava de ver os tripulantes com aquelas roupas brancas enormes e capacetes gigantes. Além disso, o que mais me encantava era vê-los flutuando, parecendo mágica. Somente mais adiante fui compreender o porquê de eles fazerem aquilo. O conjunto da obra me levava a pensar em abraçar essa carreira, mas quando cai a ficha e a gente entende a realidade do negócio, se frustra por ver que o ônus muitas vezes é pesado e a resiliência acaba ficando pelo caminho, junto com o sonho de outrora.

 

No ano passado os gremistas zoaram os colorados por estarem dentro da Libertadores, enquanto que o maior rival teria de se contentar com a Sul-Americana. Esse ano está acontecendo a mesma coisa, apenas se invertendo quem zoa e quem é zoado. No fim das contas quem zoou saiu cedo e a tendência é que esse ano ocorra o mesmo com quem está zoando. Do jeito que os dois clubes estão em termos de elenco o máximo que pode acontecer é alguém conquistar o Patinho Feio, ou seja, a competição do zoado. O próprio Inter pode disputá-la caso se atrapalhar na Libertadores.

 

Bons tempos aqueles de Dinho, Jardel e Paulo Nunes e mais recente os tempos de Fernandão, Tinga e Jorge Wagner. Times consistentes, fortes mentalmente, encaixados técnica e taticamente. Hoje a gente olha os elencos e até sonha, porque o futebol é assim, mas não consegue ter firmeza para dizer que nossos times têm condição de conquistar algo que não seja o Gauchão. O que vier será lucro, e um baita lucro, mas a tendência é de ficarmos pelo caminho de modo geral. Tipo eu e o meu sonho de ser astronauta.

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