Politicamente, o ano de 2025 começou agitado. As pré-campanhas já estão nas ruas, com posicionamentos e narrativas voltadas ao Palácio do Planalto. O Congresso Nacional apresenta uma agenda de temas polêmicos, como mudanças na Lei da Ficha Limpa e o controle das emendas parlamentares, o que tem chamado a atenção da opinião pública. Paralelamente, o STF lidera o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e militares de alta patente, que serão julgados por tentativa de golpe de Estado no Brasil.
Que cenário! E, no meio de tudo isso, o senhor eleitor, que “tem o dedo” para decidir, demonstra cada vez mais indignação e descrença no coração.
A última pesquisa nacional indica que o grau de desconfiança nas instituições brasileiras tem aumentado, especialmente nas políticas. Analisando os números, verifica-se que a Polícia Federal se destaca, com 53% de confiança dos brasileiros, seguida pela Polícia Militar, com 50%. O STF já conta com menos da metade do apoio nacional, pontuando com 49% de confiança. A polarização política e as decisões polêmicas têm impactado a opinião pública, e a percepção de imparcialidade aparece como um fator que contribui para ampliar a descrença da população. Em quarto lugar, aparece a Polícia Civil, com 48% de confiança.
O ponto de atenção está na ampliação da desconfiança dos brasileiros com as Forças Armadas. Neste primeiro trimestre de 2025, apenas 24% da população confia no Exército, na Marinha e na Aeronáutica. Desde que as Forças Armadas politizaram os quartéis, ampliou-se uma crise de credibilidade, alicerçada na percepção de que os militares não estão alinhados aos interesses da população. Além disso, a falta de transparência em algumas ações e decisões estratégicas tem gerado desconfiança, especialmente as acusações de que parte dessas instituições estava alinhada com a tentativa de abolir a democracia.
Agora, o cenário mais crítico de desconfiança é com os representantes do povo, demonstrando que a população não se sente representada. Apenas 9% dos brasileiros confiam no Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado). A falta de transparência na aplicação de recursos públicos e o uso das redes sociais para discursos inflamados, muitas vezes desconectados das demandas da sociedade, contribuem para essa percepção negativa. Para a população, há muito “circo” e pouca entrega! Ou, como se ouve frequentemente nas entrevistas: “falam muito e fazem muito pouco”; “nada muda, a cada eleição temos que escolher o menor pior”; “no Brasil, o povo só se ferra e os deputados só se dão bem”.
Essa grave crise de credibilidade está ligada à percepção de que os parlamentares priorizam pautas que beneficiam a si próprios, em vez de atender às demandas da população. Os políticos fazem de conta que está tudo bem e ignoram o problema crônico de desconfiança na política brasileira, o que tem ampliado a cultura política da desesperança. Não é à toa que o voto optativo nem está na agenda do Congresso!
Não podemos esquecer do impacto dos escândalos de corrupção e das crises econômicas que alimentam o ceticismo político e a rejeição ao sistema tradicional. As informações falsas e a falta de perspectiva por dias melhores também têm desnorteado os cidadãos, levando muitos a se absterem de posicionamentos políticos e até da participação eleitoral.
