Na manhã desta terça-feira, 20, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul realizou uma operação para apurar um esquema de desvio de recursos que teria sido montado dentro de uma agência bancária em Palmeira das Missões. A ação resultou no cumprimento de três mandados de prisão preventiva e de outras medidas judiciais, como buscas, apreensões e bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros.
A investigação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos, sob coordenação do delegado João Vitor Herédia, com apoio de equipes da 14ª Delegacia de Polícia Regional do Interior (14ª DPRI) e da Delegacia de Polícia de Palmeira das Missões. O objetivo foi desarticular um grupo suspeito de atuar de forma organizada para cometer fraudes financeiras de alto valor.
O esquema
De acordo com a Polícia Civil, o grupo seria formado pelo gerente-geral da agência, um operador de sistema e familiares. Juntos, eles teriam provocado prejuízos que ultrapassam R$ 2,4 milhões. As apurações indicam que o esquema se aproveitava de falhas internas e da confiança dos clientes para acessar contas pouco movimentadas, pertencentes principalmente a idosos entre 81 anos e 96 anos, e até de pessoas já falecidas.
As investigações apontam que os suspeitos alteravam dados cadastrais das vítimas, simulando rendas elevadas para viabilizar a liberação de empréstimos de alto valor. Para validar as operações, o operador do sistema utilizava a própria biometria, registrada de forma irregular como se fosse a dos clientes, o que permitia concluir os contratos sem a presença real dos titulares das contas.
Após a liberação dos empréstimos, os valores eram sacados em dinheiro para dificultar o rastreamento das transações. Parte dessa etapa teria sido realizada por uma mulher, familiar do gerente, que efetuava retiradas fracionadas em espécie, totalizando mais de R$ 1,4 milhão.
A investigação
A investigação teve início após a identificação de inconsistências relevantes nas operações de crédito da agência. A partir da análise de registros eletrônicos e sistemas internos, a Polícia Civil conseguiu reconstruir o funcionamento do esquema e identificar o papel de cada integrante. Segundo os investigadores, o gerente atuava como principal articulador, o funcionário subordinado executava as fraudes técnicas, e o núcleo familiar era responsável pela retirada e circulação do dinheiro.
A operação recebeu o nome de “Digital Fantasma” em referência ao uso indevido de impressões digitais de funcionários para simular a presença dos clientes. A deflagração ocorreu em caráter de urgência, diante da possibilidade de destruição de provas e de interferência nas investigações.