Comparando o antigo e o novo, a história dos bares em Frederico Westphalen pode ser contada a partir de dois endereços: o Bar e Minimercado do Colle, aberto em 30 de outubro de 1980, e o Bendito Tex Mex, inaugurado em 27 de agosto de 2017. Em comum, ambos surgiram de iniciativas familiares e acompanharam transformações econômicas e sociais do município.
Uma cidade em crescimento
Antônio Danilo Colle, 72 anos, natural de Casca, chegou à cidade com os irmãos no fim da década de 1970. “Aqui era tudo chão. Tinha o frigorífico dos Damo e poucas casas. O resto era mato”, relata. O ponto onde funciona o bar estava fechado e passou por reforma antes da abertura. “Nós fizemos banheiro, arrumamos tudo e abrimos como bar e armazém”. No início, a venda era diversificada. “Armazém podia vender de tudo. Tinha produto colonial, brinquedo, o que o pessoal precisava”. Segundo Colle, a prática do fiado era comum. “Naquela época era quase tudo no caderno. Perdemos dinheiro. Hoje é diferente”.
Ele afirma que o movimento acompanhou ciclos econômicos, como a instalação e a saída, na época, da indústria frigorífica da região. “Quando fechou, foi difícil. Muita gente foi embora”. Ao longo dos anos, o bairro Santo Antônio foi incorporado à área central. “Quando abri aqui era bairro. Hoje é centro”. O estabelecimento sustenta a família há quatro décadas. Colle trabalhou também na construção civil para complementar a renda e pagar os estudos dos filhos. A rotina atual começa pela manhã e segue até a noite, com intervalo ao meio-dia. “Enquanto der, vamos tocando”.
Novo perfil
Em outro ponto da cidade, o empresário Sidinei Antonio Novelo comanda o Bendito Tex Mex, que completa nove anos em 2026. A ideia surgiu a partir da convivência com amigos e da frequência em bares locais. “Nessa rotina, pensamos em abrir o nosso”, afirmou Sidinei. A proposta inicial foi unir bar e gastronomia. “A ideia sempre foi trabalhar com bebidas e comida de qualidade”. O cardápio inclui pratos da culinária mexicana, além de opções como shawarma e Chivito. “É uma culinária global, em ambiente descontraído”, destacou.
Sem esquecer das origens
Novelo observa que o perfil do público mudou ao longo do tempo. “Nos anos 1990 era comum criança estar no balcão com o pai ou o avô. Hoje, os espaços são diferentes”. Para ele, os bares tradicionais continuam tendo espaço. “Para quem busca esse ambiente, há locais como o Bar do Colle, que a gente podia tomar uma Coca Ks (Garrafinha de 290ml), comer uma pastelina ou frequentar esse ambiente que traz boas lembranças dessa época das nossas vidas”, relembrou Novelo.
O futuro é o agora
Entre o balcão onde se joga carta e o espaço voltado à gastronomia internacional, os dois empreendimentos refletem fases distintas de Frederico Westphalen. Em comum, mantêm portas abertas em contextos econômicos diversos e acompanham a expansão da cidade, que completa 71 anos consolidando comércio e serviços como base de desenvolvimento local. Ao falar sobre o futuro, Colle diz que não estabelece prazo para encerrar as atividades, mas reconhece o peso do tempo. O bar, segundo ele, foi o alicerce da família e permitiu criar os filhos e garantir formação. “Foi daqui que saiu o sustento da nossa casa, que conseguimos encaminhar os filhos e construir a nossa vida. Enquanto eu tiver saúde, vou continuar abrindo a porta todo dia. Depois, a gente vê. O importante é que valeu a pena”, disse Antônio Colle.
Novelo afirma que, ao longo dos anos, o estabelecimento se consolidou como ponto de encontro de diferentes gerações. “O Bendito vem cultivando histórias de amigos e clientes. Aqui nasceram amizades, outras tantas seguem sendo fortalecidas, e até romances começaram nessas mesas. É um bar de memórias, de encontros, que acabou fazendo parte da vida de muita gente. Isso nos dá a responsabilidade de manter o trabalho com respeito e constância”, finalizou.