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Impactos do calor
Escritório da Emater de FW avalia impactos climáticos na soja em fase final de cultivo
Irregularidade das chuvas na fase reprodutiva pode provocar perdas estimadas entre 20% e 30% na região
Por: Diego Macagnan
Publicado em: terça, 10 de fevereiro de 2026 às 10:29h
Atualizado em: terça, 10 de fevereiro de 2026 às 10:48h

A cultura da soja na região de Frederico Westphalen e municípios vizinhos encontra-se na reta final do ciclo, com acompanhamento técnico da Emater-RS/Ascar de FW. Segundo o engenheiro agrônomo Felipe Lorensini, do escritório regional da Emater, durante entrevista para o AU nesta terça-feira, 10, o bom desenvolvimento inicial das lavouras foi comprometido pela falta de chuvas e pela irregularidade das precipitações durante a fase reprodutiva da cultura.

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Semeadura e desenvolvimento inicial
De acordo com a Emater regional, houve leve atraso na semeadura da soja, principalmente em áreas de ressemeadura após o trigo. O atraso ocorreu em função do ciclo tardio do trigo e do excesso de chuva no período de implantação da cultura anterior. Ainda assim, a soja apresentou bom estabelecimento e desenvolvimento vegetativo inicial. Até o encerramento da fase vegetativa, a distribuição das chuvas foi considerada adequada, sem registro de ondas de calor prolongadas e com boa disponibilidade hídrica, o que sustentava expectativas positivas para a safra.

Fase reprodutiva e estiagem
A situação se alterou com a entrada da cultura na fase reprodutiva, período que compreende o florescimento e o enchimento de grãos. Conforme Lorensini, a interrupção das chuvas e a irregularidade das precipitações passaram a impactar diretamente o potencial produtivo das lavouras. “O cenário é bastante heterogêneo, inclusive dentro de um mesmo município, em função das condições de solo e da distribuição das chuvas”, explicou.

Influência do solo e do manejo
Solos mais profundos, com maior capacidade de armazenamento de água, como os encontrados em municípios como Palmeira das Missões, Boa Vista das Missões e Chapada, apresentam maior tolerância à estiagem. Já áreas com solos rasos ou pedregosos, classificados como Neossolos, sofrem impacto mais rápido com a falta de precipitações. O manejo do solo também influencia a resposta das lavouras ao estresse hídrico. Segundo a Emater, áreas com correção do perfil do solo e sem restrições químicas ou físicas ao desenvolvimento radicular apresentam maior resiliência.

Estimativa de perdas
A Emater trabalha com uma produtividade média regional de 58 sacas por hectare, calculada a partir da média dos últimos cinco anos. Sobre esse parâmetro, a estimativa atual indica perdas entre 20% e 30%. “Hoje, na região, a gente está estimando entre 20% e 30% de perda, considerando a média inicial de 58 sacas por hectare”, afirmou Lorensini. O engenheiro agrônomo ressalta que, ao considerar lavouras com potencial produtivo entre 70 e 80 sacas por hectare, as perdas podem alcançar percentuais mais elevados, variando de 50% a 60%.

Estresse hídrico e orientações técnicas
As lavouras enfrentam estresse hídrico e térmico, agravado por temperaturas próximas aos 40 graus registradas nas últimas semanas. A falta de água compromete o processo de transpiração das plantas, mecanismo essencial para o controle da temperatura. Diante do cenário, a Emater orienta os produtores a adotarem práticas que evitem estresse adicional às plantas, como o uso criterioso de fungicidas menos agressivos durante o período crítico.

Monitoramento e divulgação
Os dados sobre a safra são divulgados semanalmente por meio do informativo conjuntural da Emater. O balanço final da produção será consolidado ao término da colheita. “A cada dia sem precipitação, o dano é expressivo. Se não houver chuva nos próximos dias, a situação tende a se agravar”, concluiu Lorensini.

Confira a a entrevista

Fonte: Jornal o Alto Uruguai