A Quaresma teve início nesta quarta-feira, 18, abrindo o período de 40 dias que antecede a Páscoa. Na mesma data, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou, em Brasília, a cerimônia de abertura da Campanha da Fraternidade 2026. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a edição deste ano propõe a reflexão sobre a moradia como condição para a dignidade humana. A iniciativa acolhe sugestão da Pastoral da Moradia e Favelas e apresenta subsídios pastorais para comunidades em todo o país.
Dados divulgados pela organização indicam que 6,2 milhões de famílias não possuem moradia adequada e cerca de 328 mil pessoas vivem em situação de rua. Segundo a Campanha, o acesso à casa está relacionado a outros direitos, como saúde, educação e segurança.
Na Diocese de Frederico Westphalen, o bispo Dom Antonio Carlos Rossi Keller divulgou mensagem para o tempo quaresmal. Na carta aos fiéis, Dom Antonio destaca que a Quaresma é período de oração, penitência e caridade, convidando os fiéis à conversão e à participação no Sacramento da Confissão. O bispo também relaciona a vivência quaresmal ao tema da Campanha da Fraternidade, afirmando que a Encarnação de Cristo fundamenta o compromisso com a garantia de moradia digna e com ações concretas em favor das pessoas em situação de vulnerabilidade.
Confira a carta aos fiéis do Bispo Diocesano de FW Dom Antonio Carlos Rossi Keller:
Mensagem para o Tempo da Quaresma – 2026
"Convertei-vos e crede no Evangelho" (Mc 1,15)
Frederico Westphalen, Quaresma de 2026.
Amados irmãos da Diocese de Frederico Westphalen e pessoas de boa vontade,
Com a celebração da Quarta-feira de Cinzas, a Igreja nos introduz, mais uma vez, no santo Tempo da Quaresma: quarenta dias de graça, de escuta mais atenta da Palavra de Deus e de renovação da vida cristã, em preparação à Páscoa do Senhor.
A celebração e a vivência do Tempo quaresmal têm sólidos fundamentos bíblicos e teológicos. Recorda-nos, antes de tudo, a experiência de Jesus no deserto, onde, conduzido pelo Espírito, jejuou, rezou e enfrentou as tentações, permanecendo fiel à vontade do Pai. É também memória do caminho do povo de Israel rumo à Terra Prometida e, para nós, cristãos, tempo favorável de conversão, reconciliação e retorno sincero a Deus.
A Igreja, com sabedoria pedagógica, propõe-nos três grandes pilares que sustentam a vivência quaresmal: a oração, a penitência e a caridade.
A oração nos reconduz ao essencial. É tempo oportuno para intensificar o diálogo pessoal e comunitário com Deus, participar com maior frequência da Eucaristia, dedicar-se à leitura orante da Sagrada Escritura e redescobrir o silêncio interior, tão necessário para ouvir a voz do Senhor em meio às agitações do cotidiano.
A penitência, expressa no jejum e em pequenas renúncias concretas, educa o coração para a sobriedade, ajuda-nos a ordenar os desejos e a reconhecer nossas fragilidades. Não se trata de um exercício meramente exterior, mas de um caminho interior de purificação, que nos torna mais livres e disponíveis à ação da graça.
A caridade, por sua vez, é o sinal mais visível da autenticidade da conversão. A Quaresma nos convida a abrir os olhos e o coração às necessidades dos irmãos, sobretudo dos mais pobres e sofredores, transformando gestos simples em expressões concretas de amor, solidariedade e partilha.
No centro desse caminho está a conversão, que não é apenas mudança de comportamento, mas uma verdadeira transformação do coração. Essa conversão encontra sua expressão sacramental privilegiada no Sacramento da Penitência, onde experimentamos de modo concreto a misericórdia de Deus que perdoa, restaura e nos devolve a alegria da amizade com Ele. Exorto vivamente todos os fiéis a redescobrirem a beleza e a importância da Confissão sacramental, sobretudo neste tempo quaresmal.
Neste ano, a vivência da Quaresma é enriquecida pela Campanha da Fraternidade de 2026, que traz como tema “Fraternidade e Moradia” e como lema “Ele veio morar entre nós” (João 1,14). À luz do mistério da Encarnação, somos convidados a reconhecer que Deus fez da humanidade a sua morada e, por isso, toda pessoa tem direito a viver com dignidade, segurança e esperança. A Campanha da Fraternidade nos interpela a olhar com atenção e compromisso pastoral para a realidade da moradia, especialmente daqueles que vivem em situação de vulnerabilidade, estimulando gestos concretos de solidariedade, políticas públicas justas e uma cultura de acolhida, para que ninguém se sinta excluído ou sem lugar na sociedade.
Que esta Quaresma seja, para todos nós, um verdadeiro tempo de graça, de retorno ao essencial e de renovação da esperança, para que, purificados e reconciliados, possamos celebrar com alegria a Páscoa do Senhor.
Confiando este caminho quaresmal à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, concedo de coração minha bênção a todos.