Os quilômetros da RSC-472 que ligam Frederico Westphalen a Tenente Portela foram classificado na sexta colocação de pior do Brasil e o pior da região Sul na Pesquisa CNT de Rodovias 2025, divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Dos 544 segmentos avaliados no país, os 70 quilômetros entre os dois municípios receberam conceito “péssimo”, com problemas no pavimento, na sinalização e na geometria da via. No ranking nacional, o trecho ocupa a 539ª posição, à frente de cinco rodovias localizadas no Maranhão, Paraíba, Acre e Tocantins. Outro segmento gaúcho com conceito “péssimo” é a ERS-324, entre Passo Fundo e Nova Prata. Considerando os 130 quilômetros entre Frederico Westphalen e Três Passos, a avaliação geral sobe para “ruim”, com pavimento e sinalização classificados como “ruins” e geometria “péssima”.
Metodologia da pesquisa
A CNT percorreu 114 mil quilômetros em 29 dias, com coleta realizada por 24 equipes técnicas. A metodologia incluiu avaliação visual das condições da rodovia, registros em vídeo com apoio de inteligência artificial e cruzamento de dados técnicos. O estudo considera três eixos: pavimento, sinalização e geometria. No pavimento, são observados buracos, trincas, remendos e ondulações. Na sinalização, são avaliadas placas, pintura de faixas e dispositivos auxiliares. A geometria analisa traçado, curvas, aclives, declives, acostamentos e largura da pista.
Daer-RS contesta pesquisa O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer-RS) informou ter investido cerca de R$ 7 milhões na rodovia nos últimos anos, com foco no pavimento. O diretor-geral, Luciano Faustino, afirmou que o resultado “reflete um recorte técnico feito em determinado período e não necessariamente representa 100% da situação atual da rodovia”. Segundo ele, a pesquisa “utiliza critérios próprios e metodologia específica, com avaliação predominantemente visual e padronizada em nível nacional, o que é importante para fins comparativos, mas não considera o histórico recente de intervenções realizadas pelo Estado”. Faustino acrescentou que parte dos apontamentos envolve características estruturais. “Quando se fala em geometria, estamos tratando de elementos de projeto, como curvas e largura de pista, que não se alteram com manutenção”, declarou.
Relato de motorista
O motorista da Secretaria de Saúde de Frederico Westphalen, Claudinei de Oliveira, relatou dificuldades ao trafegar pelo trecho, que é utilizado com frequência por ambulâncias que fazem o deslocamento de pacientes da região. A rodovia é rota importante para o encaminhamento de atendimentos ao Hospital Santo Antônio, em Tenente Portela, referência para diversos municípios do Médio Alto Uruguai.
Além do fluxo de veículos da saúde, a estrada também é intensamente utilizada pelo transporte ligado à produção agropecuária, especialmente da cadeia pecuária, atividade forte na região e responsável por grande circulação de caminhões. “Esse trecho é complicado e tem lugar que o asfalto não é bom. Precisaria arrumar alguns pontos e também fazer acostamento, porque passam muitos caminhões. Quando precisamos passar com ambulância, não há espaço suficiente. Fica perigoso”, afirmou. Segundo ele, a falta de acostamento amplia o risco em emergências. “Às vezes temos que nos deslocar com urgência e não tem espaço lateral. É um trecho que precisa de melhorias”, disse.
Ações realizadas
Faustino informou que foram executados serviços de tapa-buracos, recomposição de trechos e melhorias localizadas, conforme planejamento técnico e disponibilidade orçamentária. Sobre a sinalização, reconheceu a necessidade de intervenções. “Estamos trabalhando para que ainda neste semestre seja iniciada a qualificação da sinalização nesse trecho”, afirmou. O diretor acrescentou que o acompanhamento técnico da rodovia é permanente.