Qual o mês em que mais fizemos listas e entramos em filas? Sem dúvida é o mês de dezembro. Por mais que tenhamos parcimônia frente ao consumismo natalino, cedo ou tarde nos rendemos a alguma lista, seja a dos presentes para a família e Amigo-Secreto, seja a relacionada a ceia de Natal. Pronto! Agora se munir de paciência para enfrentar o frenesi nos shoppings e suas filas a começar pela escada rolante. Depois vem as inúmeras filas no supermercado: do açougue, da padaria, da peixaria e enfim, a do shopping. Ah, não podemos esquecer da fila para pagar o estacionamento e, vamos lá, outra fila para sair do shopping. Concomitante aos preparativos natalinos, as comemorações alusivas ao Réveillon também envolvem nossa energia. Que roupa usar na virada do ano? Que simpatias fazer?
No frenesi dessas duas datas, é difícil reunir todos que gostaríamos. Assim, nos dividimos vezes aqui, outras acolá a fim de estar com os nossos afetos. Os álbuns de família nos relembram quem não está mais aqui, e de forma saudosa tentamos reproduzir os quitutes culinários que faziam, honrando suas memórias. As festas da firma e o bate canecos nos happy hours, festejam a amizade e o ano que se finda, com a promessa que o ano vindouro seja apoteótico.
Com o espírito imbuído de ensejos positivos, olhamos para trás e nos despedimos de um ano marcado pelas “águas de maio”, cujas consequências perduram. Lembrando que tem muita gente que perdeu tudo. Perdeu família. Perdeu sua casa e seus pertences. Perdeu a dignidade e hoje está como cidadão de rua, ou morando de favor na casa de alguém. Estamos vivendo uma sucessão de acontecimentos que estão alterando a cosmologia urbana construída até então. O tecido social está ruindo e provou sua falência frente as crises que se somam, indicando a urgência de pensar no coletivo. Precisamos nos ressignificar e criar novas formas de convivência mais inclusivas, altruístas e pacíficas a fim de respeitar o planeta. Que tenhamos consciência de incluir em nossas listas de fim de ano a ajuda ao próximo. Um panetone pode alimentar alguém. Uma boneca, certamente fará sorrir a criança no abrigo. Uma visita ao enfermo ou ao idoso no asilo, será um presente valioso.
Bons Ventos! Namastê.
