O amor não costuma se pautar pela razão, sendo um olhar, o suficiente para desencadear o processo que não se explica, já que o “amor foge a dicionários” conforme o poeta Drummond de Andrade. O certo é que quem já viveu esta experiência, concorda que amar é não estar em estado constante de serenidade – uma vez que o amor não é confortável, mas sim irracional.
A mitologia grega bem se apropriou de historiar a saga dos amores e desamores mundanos ao apresentar vários arquétipos e mitos que retratam a eterna luta entre o amar e o fugir desse sentimento. Assim, enquanto o mito de Eros (o amor) e Psiquê (a alma) fala da ligação entre o amor e a alma, a ligação de Eros com Tanatos corresponde ao desejo de nos ligarmos ou não amorosamente uns aos outros. Pois, enquanto Tanatos nos empurra a romper a ligação para que o nosso ser se mantenha poderoso, Eros nos conclama a entrega absoluta. A temática até virou letra de música, quando Lulu Santos canta: “sou mais meu Eros do que o seu Tanatos”. Os sinais de que Eros está no ar são bem evidentes:
- Sentir saudades antes mesmo de ir embora.
- Dormir e acordar pensando no outro.
- Viver o sentimento sem se importar com os moldes de relacionamento que a sociedade impõe.
- Ter certeza de que o peito do outro é o encaixe perfeito para o seu aconchego.
- Vivenciar o sexo de forma plena por saber que já não há mais tabus a serem quebrados.
- Olhar o mais belo exemplar do espécime humano e ainda desejar seu parceiro como único.
- Renunciar em prol do outro e se afastar se a felicidade alheia depender da distância dos dois.
Sabemos que quando amamos algo nos sufoca na medida em que o amor implica diretamente em correr riscos e, muitas vezes desistimos de amar por ter medo de perder. Contudo, quem foge à luta sem nem antes tentar, já se prescreveu um atestado de fracasso antecipado. Nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Saibamos encontrar o “caminho do meio”, um local onde nos sintamos protegidos do poder que o afeto desmensurado do outro possa nos promover, mas que também, não nos impeça de trocar a zona de conforto da solidão para ter uma vida a dois.
Bons Ventos! Namastê.
