Manda quem pode...
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sexta, 07 de fevereiro de 2025

Durante a semana economizamos gás de cozinha de forma bem tranquila lá em casa. Água esquentávamos na sacada enquanto pegava sol. Bem simples, colocávamos a chaleira ao relento e esperávamos que ela chiasse. Ovos fritávamos no asfalto mesmo, um pouco mais na beira da rua para evitar acidentes.

 

                Brincadeiras à parte, o que foi o calor dessa semana, turma? Estamos cuidando cada vez menos da natureza e ela vai respondendo assim, passo a passo, gradativamente, fazendo a gente sofrer lentamente. Culpa somente nossa, ela apenas se defende e, vamos admitir, se defende com pitadas de crueldade.

 

                Também durante a semana ativei um dos pecados capitais, a inveja. Um amigo está indo passar uns dias no outro lado do Oceano. Vai para as bandas do frio. Eu sei que ele vai estar lá querendo um pouco do calor daqui, mas eu, em minha “inveja branca”, sem maldade e feliz por ele, queria estar um pouquinho lá, também. O fato é que o melhor de tudo é o equilíbrio. Sem extremos. Assim a vida fica mais leve de modo geral. Um picolé por aqui, um café por lá e segue o baile.

 

                Dias atrás assisti uma entrevista pós-jogo do Thiago Silva, zagueiro do Fluminense. O time carioca recém havia empatado uma partida em zero a zero e a vaia pegou. O jogo foi às quatro da tarde de um domingo escaldante e ele disse mais ou menos isso: “Estamos longe do preparo físico ideal, pernas ainda pesadas, jogando em um horário absurdo porque somos obrigados. Como vão querer que a gente desempenhe nosso melhor? Isso precisa mudar”.

 

Vamos excluir fatores como o time ser bom ou ruim e tratemos do ser humano. Concordo com ele e não é de hoje que eu falo sobre isso. Eu e muita gente, com certeza. O fato é que a TV compra o produto e faz dele o que bem entender. E ali tem o ser humano, fazendo “parte do pacote” e que acaba submisso ao que vier. O famoso “manda quem pode e obedece quem precisa”, embora o esforço seja compensado pelos pomposos ganhos desproporcionais que essa turma ganha em comparação a nós.

 

E tem mais: os caras enfiam um Gre-Nal para uma noite de sábado, 21 horas. Aquele horário fora da curva, onde tudo o que a gente menos quer é ver uma partida de futebol. Claro que temos o poder de assistir ou não, mas no fim das contas acabamos parando tudo e se organizando para o evento. Quatro da tarde no pico do verão fica ótimo para nós e péssimo para o atleta, nove da noite de um sábado se invertem as coisas. E assim seguimos, chefiados pela TV, que manda na bagaça.

 

Confesso que por 100 ou 200 mil mensais eu jogaria de boa num sol de rachar e também faria um esforço para ocupar minha noite de sábado correndo atrás de uma bola. Se bobear jogaria as duas no mesmo dia. Só não sei se teria energia para dar uma saída depois do jogo noturno. Mas isso seria assunto para outro momento. Agora vou ali tomar uma água gelada porque o calor não está poupando nem eu e possivelmente nem o Thiago Silva.

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