Mulher em fases
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quinta, 27 de fevereiro de 2025

O mês de março inicia, nos lembrando sobre o Dia da Mulher e levando a reflexão sobre as tantas teorias (científicas/religiosas/pagãs) que tentam explicar sua natureza, tamanha sua complexidade e poder. Desde que o mundo é mundo, sua saga de Eva/Lilith/Sacerdotisa/Deusa/Rainha já lhe tornou rainha absoluta e respeitada em seu tempo e em outros momentos, lhe sentenciou a fogueira. Seu próprio ciclo hormonal e o sangue que todo mês lhe aparece ou o cessar dele, são alvo de controvérsia sendo para algumas culturas algo místico - assim como as fases da lua – e para outros povos, a personificação do mal. Adorada, desejada e amaldiçoada assim surgiu a mulher, que em tempos vigentes, busca resgatar sua ancestralidade através dos preceitos que envolvam o Sagrada Feminino. A sororidade também está em voga ao fortalecer o manifesto feminino por respeito e igualdade, pois fogueira: nunca mais! A mulher é multifacetada e suas fases seguem certa linearidade. A menina-moça (donzela) ao trocar as bonecas pelos cuidados com sua aparência, vai deixando de mansinho, os Contos de Fadas e de Bruxas ao se preparar para os novos desafios que a fase adulta pede. Ao mesmo tempo que se sente poderosa, em outros momentos a insegurança lhe bate à porta, em seu despertar decorrente da puberdade. Nessa fase, a mulher conhece seu potencial de encantar, mas como toda aprendiz, precisa ter paciência e cautela na caminhada que inicia. Às mulheres que se ocupam com a maternidade (concebida ou adotada), acolhem no seu EU, aqueles e aquelas que resolveram frutificar em seu seio. Mesmo quando surpreendida pela gestação, um rufar de tambores - ao ritmo do coração -, lhe convida para viver a plenitude de sua essência feminina. Aqui surge a mulher GUERREIRA, que não duvida de sua força interior e quando soçobra em dúvidas, relembra os feitos que venceu e as dores que suportou, renascendo mais forte e certa de sua capacidade única de ser Fênix. Os longos anos que se sucederão nessa fase adulta, permitem que a mulher acumule sabedoria, aguce sua intuição, aprenda a se conhecer e perca o medo da morte, pois já entende o poder de transmutar. Quase sem perceber, vai se tornando conselheira de outras donzelas e mães, havendo pouco espaço para incertezas. Ela pode até retocar suas marcas de idade (frente ao costume de se ver sempre bela), mas não há como enganar o ciclo da loba, que diminui as passadas para melhor aproveitar o caminho que resta. É chegado o momento da mulher SÁBIA, que conjuga conhecimentos aprendidos nas cátedras com a arte antiga, atavicamente repassada por seu clã. Assim, passa a operar tanto no mundo físico quanto no emocional, em resposta aos males que surgem, sabendo o rezo/prece/simpatia/ritual/chá/unguento a ser feito; se utilizando dos elementos da natureza em terapias naturais e holísticas e, se inspirando na intuição aguçada  que vai se consolidando, conforme  ela se conecta com suas origens. “Não gosto da vida em banho-maria, gosto de fogo, pimenta, alho, ervas. Por um triz não sou uma bruxa.” (Martha Medeiros) ... No fundo, todas somos.

 

Bons Ventos! Namastê.

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