Como é difícil fazer essa geração de “filhos pequenos” sair das telas... A gente tenta ao menos mesclar com o lúdico, com atividades em paralelo, mas no fim, mesmo que por uns minutos ou uma horinha, as telas acabam fazendo parte do processo.
Confesso que lá em casa a gente demorou um tempinho para se adequar. Acabamos conseguindo mesclar o jogo de Roblox do celular com algum aplicativo educativo para amenizar, ao mesmo tempo em que o jogo de dominó também ganhou força quando menos esperávamos. E o dominó surgiu meio que por acaso no negócio, visto que resolvemos comprar para se somar aos demais presentes de Natal, como uma espécie de coadjuvante.
E não é que deu certo? Hoje a coisa está assim: praticamente toda a noite temos que jogar duas ou três partidas de dominó por exigência de nosso filho. Eu invento que o celular precisa ser carregado e aí mudamos o foco para nosso jogo. Até o momento está dando certo a estratégia. Volta e meia precisávamos deixar ele ganhar para, digamos, motivá-lo. Mas ele já aprendeu a jogar e ganhou várias vezes, nos enchendo de orgulho.
“Papai, eu tenho só uma peça e você tem três. Você tem que colocar o cinco ou o seis agora. Se você não tiver vai ser a minha vez e eu tenho uma dessas que precisa encaixar”. Aí eu olhava as minhas peças e nelas haviam todos os números do mundo, exceto os dois números que ele citava. E assim ele ganhava. Perdi? Muito pelo contrário, quem estava perdendo era o Roblox, esquecido numa tomada com 100% de carga, hibernando.
Jogo de dominó me lembra muito o Brasileirão que está iniciando neste final de semana. Aliás, que saudade que eu estava do Brasileirão. O dominó é um jogo simples, mas que requer estratégia e “leitura de jogo”. Difícil apontar um favorito, pois o encaixe das peças vai dar o rumo para quem tiver melhores condições de vencer o desafio. Tal qual o Brasileirão, onde podemos citar pelo menos uns oito candidatos. Claro que um ou dois se destacando mais, mas nosso campeonato sempre teve como principal característica o fato de ser parelho, por vezes apontado como a competição mais difícil do mundo, o que de certa forma acho um exagero, embora não tão distante disso, também.
Amanhã será um novo dia, mas hoje vejo o Flamengo com o favoritismo, um degrau acima dos demais, embora sempre possa existir um tropeço inesperado, um time misto ou reserva em virtude de jogos de copas e que pode fazer diferença na pontuação final, pois temos vários concorrentes de peso que podem se aproveitar disso. Como o nosso jogo de dominó, se o Flamengo bobear e não tiver o cinco ou seis para completar a sequência no momento certo, as coisas podem acabar de forma diferente. Enfim, que comecem os jogos...
