Parece que foi ontem que vivemos um longo período de restrições durante a pandemia. Acreditava-se que este período elevaria a sabedoria do ser humano. A ideia era que sairíamos melhores do que entramos. Se imaginava que o distanciamento social levaria as pessoas a valorizarem mais a família, os amigos, a comunidade e que quando o abraço fosse permitido o contato pessoal seria fortalecido.
Parece que foi ontem que a esperança ocupava o coração de todos aqueles que acreditavam que o mundo seria melhor, mais empático. Havia expectativa de uma empatia coletiva, pois o vírus colocava todos, democraticamente, na mesma posição de vulnerabilidade. Não importava se a pessoa era rica ou pobre, preta ou branca, médico ou paciente, tanto fazia se era uma pessoa famosa ou comum.
Parece que foi ontem que o confinamento reduziu o número de veículos na rua, gerando debates sobre a relação entre atividade humana e meio ambiente. Neste momento se acredita que as pessoas iriam repensar hábitos de consumo e apostar mais na sustentabilidade. Inclusive, em muitas pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião, verificou-se o aumento do consumo minimalista, que é quando as pessoas passam a reduzir as compras supérfluas, valorizando o essencial e buscando por simplicidade no estilo de vida.
Parece que foi ontem que o autocuidado se tornou um debate, principalmente com a saúde mental. A quarentena trouxe a necessidade de cuidar mais da própria saúde física e emocional. Houve incentivo a práticas como alimentação saudável, exercícios em casa e meditação.
Parece que foi ontem que o trabalho remoto se tornou uma realidade para muitos e estimulou a necessidade de uma busca entre o equilíbrio do trabalho com a vida pessoal.
Parece que foi ontem, mas já fazem seis anos desde os primeiros casos detectados na China e três anos que não vivemos mais em estado de pandemia. E parece que o mundo não aprendeu o que deveria aprender.
Nas pesquisas de opinião é cada vez mais comum escutarmos as pessoas ponderando: “será que não aprendemos nada com a pandemia?” Individualmente, estamos cada vez mais conectados com o mundo e menos conectados com as pessoas que amamos. Falando em amor, também é cada vez mais comum os entrevistados afirmarem que contam nos dedos o número de pessoas que vale a pena se relacionar, incluindo familiares.
Também é cada vez mais comum os entrevistados afirmarem que não assistem ao noticiário, não querem saber de guerra, violência, aumento de criminalidade, corrupção, política ou injustiça. E enquanto isso, alguém que conhecemos está caindo em um golpe na internet, sendo roubado de forma virtual.
Também é cada vez mais comum não conseguirmos distinguir o que é real do que não é. Enquanto nos isolamos no mundo da internet, com o celular na mão, ficamos mais sujeitos às Fake News e às Deepfakes, onde podemos até pensar que estamos conversando com Brad Pitt por chamada de WhatsApp.
Em um mundo cada vez mais incerto e instável, temos que rever a nossa conexão com o mundo virtual e nos conectarmos mais com o mundo real. Só assim poderemos confiar mais uns nos outros e ajudar a quem precisa. Afinal de contas, desde que o mundo é mundo, este é o caminho para superar os desafios e cultivar a esperança.