Devemos patrioticamente celebrar os 60 anos do nosso modesto, mas teimoso hebdomadário, que continua circulando há tanto tempo.
No dia 20 de fevereiro, o nosso Jornal O ALTO URUGUAI comemorava aniversário de 60 anos. Poucos podem se denominar sexagenários. Raríssimos, então, se são jornais! Se ontem já era uma proeza literária, imagine-se hoje, quando existe a concorrência feroz da televisão, do rádio, do celular, da Internet. Pois, atualmente, ninguém mais dispõe de horas para se atualizar com notícias, comentários, artigos que delongue horário extenso. Tudo tem de ser elétrico, veloz “que não tenho tempo a perder”...
Óbvio que há autênticos monstros da imprensa escrita, que ultrapassam as fronteiras e os séculos. Basta lembrar o NEW YORK TIMES dos EUA, o TIMES de Londres, EL CORRIERE DELLA SERRA da Itália, LE MONDE da França, DER SPIEGEL da Alemanha, L’OSSERVATORE ROMANDO, do Vaticano. Aqui mesmo, nos pagos gaúchos, seguem impávidos o CORREIO DO POVO e a ZERO HORA. Mas mesmo, em nosso território, no passado, um jornal que fez sucesso, O JORNAL DO DIA, que tinha o respaldo da Igreja, não durou muito tempo e veio a falecer.
Por isso que devemos patrioticamente celebrar os 60 anos do nosso modesto, mas teimoso hebdomadário, que continua circulando há tanto tempo. E quantos cidadãos reclamam, se no sábado de manhã, não aparece debaixo da porta O ALTO URUGUAI, com os fatos, acontecimentos, fofocas e até artigos de (não jornalista, mas apenas modesto colaborador, no caso, eu...) Por sinal, colho a oportunidade de agradecer comovido as mensagens que recebi de generosos Leitores. Nosso jornal, não é um primor de jornal, não é perfeito, não é completo, mas é NOSSO. Preocupa-se com nossos problemas, nossas mazelas e também nossas façanhas, embora mais raras. Dificilmente situações domésticas aqui ocorridas seriam encontradas, digamos, no Correio do Povo. Todavia, fica o registro nestas páginas familiares.
Lembremos os fundadores do jornal, senhor Vitalino Cerutti, monsenhor Arlindo Rubert, entre outros, que tiveram o peito, naquela época em que as letras não eram muito valorizadas, em se jogar na aventura de criar um jornal. O colega Wilson Ferigollo teve a felicidade de assistir ao parto do jornal. Hoje é capitaneado pela competência e dedicação da Patricia.
Contudo, devo explicar ao simpático leitor como eu caí naquela instituição jornalística. Na época, o responsável era o professor Adjalmo Cerutti, popular “Calção”. Na cidade, vigia um Gre-Nal político entre ARENA e MDB. Tanto que, para fazer frente ao ALTO URUGUAI, de proprietários emedebistas, foi criado o DESPERTAR, com um viés arenista. Eu escrevia para o jornal. Rolaram anos, o DESPERTAR não mais acordou, e morreu. Como falei, o professor Adjalmo e eu éramos colegas no Colégio Cañellas. E até jogávamos futebol juntos. Ele se lembra dos memoráveis embates, os “agudos” do Sari, hoje juiz de Direito, os choques como dois tanques, com o negrão Walter. Pois este Adjalmo, sendo ele de um partido e eu de outro, sendo ele Gremista e eu Colorado, me abriu as portas do seu jornal, sabendo que eu era do outro lado. Assim aconteceu como fui parar no ALTO URUGUAI. Até hoje, me surpreende a grandeza deste homem. Ajudar amigos, é natural. Favorecer adversários, precisa muita personalidade e caráter. A ele, minha imorredoura admiração.