Como a percepção sobre o STF mudou ao longo dos anos
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quarta, 18 de fevereiro de 2026

Quando um instituto de pesquisa pergunta se a população confia em uma instituição, como STF, Governo, Congresso, Forças Armadas, imprensa ou igrejas, está medindo uma percepção subjetiva. Não se trata de avaliar conhecimento técnico sobre como a instituição funciona, mas sim a imagem que as pessoas têm dela, o que reflete a reputação de uma instituição,

De modo geral, confiar é um indicador de legitimidade pública. Significa que a pessoa acredita que aquela instituição age de forma correta, cumpre seu papel conforme as regras, não abusa do poder, protege os interesses da sociedade e, por isso, é necessária e funciona como deveria.

Ao analisar a evolução das pesquisas nacionais sobre a confiança no STF, é possível identificar diferentes momentos na percepção da opinião pública nacional.

Iniciando a análise entre os anos de 2000 e 2013, observa-se que foi um período de confiança relativamente alta e estável. O STF era visto como uma instituição distante da política partidária, percebido como um árbitro técnico. Nessa época, poucos brasileiros sabiam o nome dos Ministros.

Entre 2012 e 2014, o julgamento do Mensalão aumentou a visibilidade do STF e elevou a confiança. O Tribunal passou a ocupar espaço central no noticiário e foi visto como firme no combate à corrupção.

No período de 2014 a 2018, com o auge da Operação Lava Jato e o início da forte polarização política, o STF passou a ser criticado por diferentes grupos, dependendo das decisões tomadas. A confiança tornou-se instável, com picos e quedas acentuadas, e cresceu a percepção de que a Corte estava politizada.

Entre 2019 e 2022, a polarização atingiu seu ponto mais intenso, acompanhada de uma queda expressiva na confiança. O STF tornou-se alvo constante de disputas políticas e aumentou a percepção de que os ministros interferiam excessivamente na política.

A partir de 2023, a sociedade passou a demonstrar forte divisão. Atualmente, cerca de 50% dos brasileiros afirmam confiar no STF enquanto 47% dizem não confiar. A Corte enfrenta desgaste institucional e a polarização continua sendo o principal fator que influencia sua imagem. Decisões individuais de ministros, conflitos internos, casos de grande repercussão como o do Banco Master e debates sobre a criação de um código de ética também impactam essa percepção.

Na última pesquisa nacional realizada pela Quaest, a pergunta feita aos entrevistados foi direta: “O STF precisa de um código de ética e conduta para os ministros?”

Os resultados foram expressivos: 82% dizem que o STF deve adotar um código de ética, 10% discordam e 8% não manifestam posição.

A adoção de um código de ética pode ser um passo concreto para recuperar credibilidade e fortalecer a confiança pública no Supremo. Regras claras sobre participação em eventos privados, uso de redes sociais e prevenção de conflitos de interesse aumentam a transparência, reduzem dúvidas sobre a conduta dos ministros e reforçam a previsibilidade institucional. Em um cenário de polarização, medidas objetivas e básicas como essa contribuem para reconstruir a legitimidade da Corte perante a sociedade, independentemente de posições ideológicas.

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