A Quaresma é aquele período de 40 dias que a Igreja reserva como preparação à Páscoa. Fundamenta-se nos 40 dias em que Cristo jejuou, 40 anos que os judeus passaram no deserto antes da ingressar na Terra Santa, 40 dias que Moisés permaneceu no Monte Sinai, e 40 dias de chuva, com Noé dentro da arca. Na Quaresma, se veste de luto pela morte do Salvador que ocorrerá na 6ª Feira Santa. As imagens nos templos são cobertas com panos e os paramentos dos celebrantes são roxos, a cor da tristeza. Mas toda esta exteriorização não tem sentido se não for acompanhada de um certo sentimento fúnebre interior. Neste período, os cristãos não deveriam se permitir festas, foguetórios, explosões de alegria, buzinaços. Afinal, ninguém vai a um velório dando risada. Arrolarei três iniciativas que vão nesta direção:
1º - Se Cristo, nosso irmão, morre numa cruz, não poderíamos também sofrer um pouco, embora sem suar sangue? Sugiro, durante alguns dias, abster-se de açúcar. Não chupar caramelos, não tomar café doce, deixar de lado a sobremesa, abolir bolos, cuca e tortas. E agora vem a vantagem: sabemos que o excesso de açúcar provoca diabete. E quando em grau máximo, pode até chegar à cirurgia de algum membro. Muitos que sofrem deste mal, POR PRESCRIÇÃO MÉDICA, estão proibidos de ingerir açúcar.
2º - Praticar um pouco mais de jejum. Entendemos o jejum como um sacrifício, comer menos, passar fome, afinal, ao Cristo na Cruz lhe serviram fel e vinagre. Pois é. A ciência nos revela que o jejum é altamente benéfico. Reduz o risco de câncer ao diminuir os níveis de glicose e insulina e previne doenças neurodegenerativas. Renova as células, removendo os componentes danificados, através da queima de açúcar e gordura. Por isso que os glutões e os gulosos começam a acumular graxas e ‘barriguinhas’. No entanto, tudo isto poderia ser facilmente evitado, com os jejuns que a Igreja, MÃE E MESTRA, impõe aos cristãos no tempo da Quaresma, máxime na Semana Santa. E sem gastar remédios nas farmácias e consultórios.
3º - Não vamos agora descrever os sofrimentos de Cristo na crucifixão. Não vamos rogar que tentem imaginar o sofrimento de pregos pregados nas mãos e cravos cravados nos pés, através de rudes marteladas. Todos nós, algum dia, sofremos uma martelada num dedo. A gente uiva de dor. Assim sendo, em memória à paixão do Cristo, não poderíamos adotar alguma mortificação, embora sem pregos ou cravos? Quem de nós já não se envolveu numa discussão, em que a gente SEMPRE TEM RAZÃO? A gente não poderia no final, concluir: “Sabe que o senhor está certo?”. Para mim, em particular, deixar de assistir o Inter para ir à missa no domingo, é uma autêntica cruz. Às vezes, até tento negociar com Deus uma vitória colorada! Mas aí me lembro que meu irmão gremista possa estar suplicando a mesma graça... E então Deus fica numa sinuca!
De modos que, paciente e quaresmal leitor, Deus que é pai, sabe o que é melhor para seus filhos. E que nos conformemos com a frase do Pai Nosso SEJA FEITA A VOSSA VONTADE. Aprendamos como reza a Liturgia: “Entre as coisas que passam, abraçar as que não passam” (Santo Agostinho). Almejamos a todos proveitosa QUARESMA!