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Cleonice Zatti
“Escolhi essa profissão com o meu coração”
Por: Susi Cristo
Publicado em: sexta, 30 de agosto de 2024 às 11:50h
Atualizado em: sexta, 30 de agosto de 2024 às 11:55h

Filha do Gabriel Zatti, da Iara Fernandes Zatti e da escola pública – como cita –, a paixão de Cleonice Zatti pelos estudos e livros iniciou em uma escola da linha Três Coqueiros, no interior de Ametista do Sul. Caminhava cerca de 12 km por dia (ida/volta) para ir até a escola, mas isso nunca foi um empecilho para ela estar diariamente em sala de aula, pois desde pequena sentia que a educação mudaria a sua história de vida.
– Era fascinante ir para a escola. Recordo-me dos colegas e das professoras desta época (1993-1997). No entanto, tive duas professoras de Ametista do Sul que são inesquecíveis, a Célia Rosa Dávila, que trouxe os ensinamentos para o mundo da escrita e leitura, e a Celanira Ganzer foi a maior contadora de histórias que tivemos e nos mostrou que poderíamos ir onde quiséssemos por meio dos livros – relembra Cleonice. 

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Incentivo
Os pais foram grandes incentivadores para que Cleonice seguisse nos estudos, pois ambos não tiveram essa mesma oportunidade e sabiam que a filha poderia ir muito além. “Cresci vendo o árduo trabalho diário de meus pais, percebi que a batalha não era fácil, ela era contínua, persistente frente aos desafios. Sendo assim, recebi o incentivo e apoio deles nessa trajetória e, consequentemente, vieram muitas conquistas. Após o ensino médio, consegui uma bolsa de estudos no IPA para cursar Pedagogia (2005) e no quarto semestre tive aula de Psicanálise com a psicóloga Cristina Kern, e foi nesse momento que me encantei pela profissão. Não bastasse um curso acadêmico, comecei a trabalhar na Biblioteca do IPA, e descobri que, como funcionária teria acesso a outros cursos de graduação. Nesse mesmo ano, o IPA abriu o curso de Psicologia, foi então que meu grande sonho em ser psicóloga estava mais perto. Não deixei a oportunidade passar, me dediquei ao máximo nos estágios e oportunidades que surgiram durante a graduação”, relembra Cleonice.

Crescimento profissional
Formada em Psicologia, Cleonice tem pós-doutorado, doutorado e mestrado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em Psiquiatria e Ciências do Comportamento; residência em Psicologia Hospitalar no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre; especialização em Suicidologia: prevenção, posvenção, processos autodestrutivos e luto (USCS/SP); formação em Psicoterapia de Orientação Psicanalítica modalidades: Adulto, Infância e Adolescência (Gaepsi) e, segundo ela, suas especializações foram direcionadas para crescimento, desenvolvimento e como ela poderia melhorar suas intervenções com os pacientes que atende.
– Independentemente de “quanto estudo” eu tiver, nunca perderei a minha essência. Minhas maiores alegrias são estar no campo com meu esposo Tiago Blauth, estar rodeada da família, amigos e muitos bichos. Vivo em um sítio na Serra gaúcha, como uma forma de me conectar com aquela garotinha da infância, que morava no interior e aprendeu que a felicidade mora nas coisas simples da vida. Hoje vejo que escolhi essa profissão com o meu coração. Percebo o quanto a educação me promoveu uma ascensão de mobilidade social. As pontes de conhecimento que os mestres propuseram me permitiram chegar do outro lado que sempre sonhei: o Ser Psicóloga – complementa Cleonice, que hoje atua como psicóloga clínica na área de Suicidologia, sendo membro da Seção de Suicidologia e Prevenção ao Suicídio da European Psychiatry Association (EPA), com artigos publicados em revistas sobre saúde mental, abrangendo Brasil, Argentina, Inglaterra, Estados Unidos, Irlanda e Itália – conta.

Reconhecimento
O trabalho e pesquisas de Cleonice já lhe renderam grandes reconhecimentos, entre esses também internacionalmente. “Em 2023, recebi um prêmio internacional, com minha professora e supervisora de pós-doc., doutora Neusa Sica da Rocha. Conquistamos o 1º lugar em ‘Engajamento com Saúde Pública e Psicoterapias’, na 54th International Annual Meeting of the Society for Psychotherapy Research (Irlanda). O nosso estudo premiado mostrou que as relações sociais tiveram um efeito protetor e diminuiu o risco de comportamento suicida durante a pandemia. Nem nos meus maiores sonhos como estudante de Psicologia, lá em 2008, imaginaria chegar onde cheguei. Tenho orgulho da minha história, de onde cheguei e da profissional que me tornei”, finaliza. 

Fonte: Jornal O Alto Uruguai