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Corsan
Plano de resiliência hídrica prepara sistemas para eventos climáticos extremos
Iniciativa prevê investimentos bilionários para reforçar infraestrutura e garantir abastecimento mesmo em situações de crise climática
Por: Márcia Sarmento
Publicado em: sexta, 10 de abril de 2026 às 13:04h
Atualizado em: sexta, 10 de abril de 2026 às 13:05h

Os eventos climáticos registrados no Rio Grande do Sul nos últimos anos evidenciaram a necessidade de fortalecer a infraestrutura essencial do Estado. As enchentes de 2024, que atingiram diversas regiões gaúchas, acenderam um alerta sobre a crescente ocorrência de fenômenos climáticos atípicos e sobre a importância de preparar os sistemas de abastecimento para operar com segurança mesmo em cenários adversos.
A experiência reforçou a compreensão de que garantir água à população exige planejamento que considere não apenas a expansão dos serviços, mas também a capacidade de resposta diante de crises climáticas. Com esse objetivo, a Corsan estruturou um Plano de Resiliência Hídrica voltado a proteger os sistemas de abastecimento e assegurar a continuidade da operação em situações extremas.
O plano foi protocolado junto à agência reguladora e prevê investimentos de R$ 1,88 bilhão. As ações estão direcionadas a fortalecer a infraestrutura existente, reduzir vulnerabilidades e ampliar a segurança operacional em diferentes regiões do Estado. Ao todo, 55 municípios serão contemplados com intervenções estruturais que buscam aumentar a robustez dos sistemas e garantir maior estabilidade no fornecimento de água.
Entre as principais medidas está a realocação de 91 unidades operacionais para áreas fora de risco de inundação. A iniciativa busca evitar que estruturas essenciais fiquem expostas a eventos climáticos severos. Também está prevista a perfuração de poços profundos, que funcionarão como fontes alternativas de abastecimento em situações de emergência ou interrupção das captações tradicionais.
O plano inclui ainda a ampliação da capacidade de reservação e o reforço das interligações entre sistemas de abastecimento. Essa estratégia permite transferir água entre diferentes regiões em momentos críticos, ampliando a flexibilidade operacional e reduzindo o risco de desabastecimento.
Outra frente importante é a modernização de estruturas consideradas mais vulneráveis, além da implantação de redundâncias operacionais que garantam continuidade aos serviços mesmo quando parte do sistema é afetada. Estações de Tratamento de Água e de Esgoto também passarão por adequações para manter a operação em cenários adversos.
O plano também incorpora o fortalecimento do monitoramento em tempo real dos sistemas de abastecimento e das barragens que compõem a infraestrutura hídrica da Companhia. A ampliação de sensores, sistemas de telemetria e centros de controle permite acompanhar o funcionamento das estruturas de forma contínua, identificar alterações operacionais com rapidez e antecipar medidas preventivas. Esse acompanhamento permanente amplia a segurança das operações e contribui para decisões mais ágeis em situações de risco.
A formação de estoques estratégicos de equipamentos integra o conjunto de medidas previstas. Geradores, bombas e embarcações estarão disponíveis para rápida mobilização em situações de emergência, ampliando a capacidade de resposta das equipes operacionais.
Para a primeira etapa das ações, estão programados cerca de R$ 350 milhões em investimentos. O plano estabelece um ciclo contínuo de melhorias voltado à adaptação dos sistemas às novas condições climáticas.
Ao adotar uma abordagem que integra engenharia, tecnologia e planejamento, a Corsan avança na construção de um modelo de saneamento preparado para os desafios do futuro. A resiliência hídrica passa a orientar decisões estratégicas e a consolidar o abastecimento de água como um serviço essencial que precisa estar protegido mesmo diante das incertezas impostas pelas mudanças climáticas.

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Fonte: Jornal O Alto Uruguai, com informações da Corsan