O Rio Grande do Sul convive com um desafio ambiental que revela, de forma clara, a urgência de avançar na expansão do saneamento. Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostra que dois dos cinco rios mais poluídos do país estão no Estado. Quando considerada a lista dos dez mais contaminados, são três: o Rio dos Sinos, o Rio Gravataí e o Rio Caí. Em comum, esses mananciais recebem esgoto sem tratamento, resíduos industriais e grande volume de lixo sólido.
O dado expõe um passivo histórico. Estudos do Instituto Trata Brasil indicam que 65,3% da população gaúcha ainda não tem acesso à coleta de esgoto. O impacto vai além da degradação ambiental. Afeta a saúde pública, compromete a qualidade da água e limita o desenvolvimento das cidades.
É diante desse cenário que a expansão do saneamento se torna uma agenda central para o futuro do Estado. O atual ciclo de investimentos busca acelerar a implantação de redes de esgoto, ampliar estações de tratamento e aproximar o Rio Grande do Sul das metas estabelecidas pelo novo marco legal do setor, que prevê 90% da população com coleta e tratamento de esgoto até 2033.
A transformação começa pela infraestrutura. Cada quilômetro de rede implantado representa menos esgoto lançado nos rios, mais proteção aos mananciais e melhores condições de vida para a população. Saneamento significa redução de doenças de veiculação hídrica, valorização urbana, atração de investimentos e melhoria dos indicadores sociais.
É importante reconhecer que essas obras acontecem em cidades já estruturadas. A implantação de redes exige abertura de vias, intervenções no trânsito e ajustes temporários na rotina de moradores e comerciantes. São transtornos inevitáveis em processos de modernização urbana.
O que está em jogo, porém, vai muito além do período de obras. Os benefícios do saneamento permanecem por décadas. A recuperação dos rios, a preservação dos mananciais e a melhoria da qualidade ambiental criam bases para cidades mais saudáveis, resilientes e preparadas para o futuro.
A aceleração dessas obras representa, portanto, um compromisso com a saúde da população, com a proteção dos recursos naturais e com a construção de um Estado mais desenvolvido. Investir em saneamento é investir em dignidade hoje e em qualidade de vida para as próximas gerações.