Amanhã teremos a finalíssima do Gauchão. E final de Gauchão não é só futebol, é uma espécie de teste cardíaco coletivo, embora o campeonato esteja praticamente decidido, sejamos francos. A parte azul está sorrindo e tranquila há uma semana, enquanto que no lado vermelho temos um mix de “já era” com discursos sobre viradas históricas. Razão e esperança ficam circulando em nossos ambientes, independentemente da cor da camisa.
Teve colorado que acordou na segunda-feira passada insistindo que vai ser possível de reverter. Sempre confiei, não vai ser hoje que vou mudar de ideia. Mais ou menos isso. Esse torcedor seria daquela turma que não sabe explicar como nem por quê, que não tá nem aí para tática ou estatísticas. Ele simplesmente pensa que vai ser possível e o resto que se dane. Ele é da turma que o improvável é com ele mesmo.
Mas também existe o colorado incrédulo. Ou meio-termo. Ele faz contas no guardanapo, balança a cabeça e diz que três é muita coisa. Ama o time, sofre como sempre, mas prefere sofrer prevenido. Um conservador consciente, digamos assim, que não rejeita a possibilidade de um milagre, pois fica lembrando que recentemente o time fez quatro neles.
Do outro lado, o gremista confiante já está pensando aonde vai moldurar a foto do time, se na sala ou no quarto do filho. Fala em vantagem construída com autoridade, em passeio, na lógica que deu antes e que vai dar de novo, baseado em seu clubismo, claro. Para ele, amanhã vai ser mera formalidade, que nem precisariam perder tempo em jogar de novo. E ele deixa bem claro que não é arrogância, é confiança mesmo.
Só que há também o gremista cauteloso, da turma dos mais experientes e calejados. É o cara que já viu futebol demais para comemorar antes da hora. Ele lembra de viradas improváveis, de tardes estranhas, de bolas que insistiam em desafiar a normalidade. É o cara que pede calma no grupo da família e que evita provocar no elevador do prédio, por exemplo.
Domingo alguém vai rir mais alto, disparar memes e falar em camisa pesada. E o outro vai se recolher em seu silêncio, simples assim. No fim das contas, talvez o mais bonito seja isso: a capacidade de acreditar quando tudo parece perdido e a prudência de esperar quando tudo parece ganho. E assim a gente vai sobrevivendo, independente das cores que vestimos.
PAPO DE FÉ
“Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem”.
– Romanos 12:21