Os impactos da restrição no fornecimento de diesel começaram a ser sentidos em municípios da região de abrangência do AU. Alguns postos já registra falta do combustível ou opera com estoque limitado, principalmente do diesel comum (S500). Nesta quarta-feira, 11, a reportagem consultou diversos postos de combustíveis da região para verificar a situação do abastecimento. Na maioria dos estabelecimentos ouvidos já há registro de falta de diesel ou limitação na venda do produto. Segundo levantamento do aplicativo Menor Preço, na segunda-feira, 9, o diesel (S500 e S10) era comercializado entre R$ 5,84 e R$ 7,69. Nesta quarta-feira, os valores variam entre R$ 6,10 e R$ 7,80. O aumento chega a R$ 0,26 no menor preço e R$ 0,11 no maior valor encontrado.
Restrição de reposição
O empresário Yuri Vendruscolo, proprietário do Complexo 34 e do Posto Rótula Central, afirma que os reflexos já aparecem na rotina dos estabelecimentos. Segundo Vendruscolo, um dos postos da rede já está sem diesel S500 devido à redução nas liberações de carregamento por parte das distribuidoras. O empresário explica que a situação exige controle maior do estoque. Em alguns casos, há apenas diesel S10 disponível, com abastecimento restrito diretamente nos veículos. Yuri Vendruscolo também ressalta que os aumentos de preço não são definidos pelos postos. "Os reajustes são aplicados pelas distribuidoras e repassados ao consumidor. Como o diesel é utilizado no transporte de alimentos, insumos e mercadorias, qualquer aumento no combustível pode impactar o custo do frete e o preço final dos produtos", explicou.
Prioridade para abastecimento direto
Em alguns estabelecimentos, a venda para transportadores-revendedores (TRR) e para armazenamento em recipientes foi suspensa. A prioridade é o abastecimento direto nos veículos para manter o atendimento aos clientes. Postos de redes com contrato direto com distribuidoras relatam que seguem recebendo combustível regularmente, com carregamentos diários, mas adotam cautela na comercialização para evitar falta do produto.
Mercado com restrição
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (SULPETRO), João Carlos Dal’Aqua, afirma que há restrição no fornecimento e aumento na demanda, o que pressiona o mercado. Segundo Dal’Aqua, distribuidoras estão priorizando postos contratados e reorganizando estoques diante da possibilidade de novos reajustes. O presidente da SULPETRO afirma que a demanda por diesel aumentou mais de 30% nos últimos dias. Ele ressalta que o cenário ainda não caracteriza desabastecimento generalizado, mas exige acompanhamento das próximas movimentações do mercado e das decisões da Petrobras sobre oferta e preços.
Impacto internacional
A pressão sobre o diesel ocorre em meio à escalada de tensão no Oriente Médio. Ataques envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã no último fim de semana provocaram o fechamento do Estreito de Ormuz, localizado entre Omã e o Irã. A rota marítima é responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A interrupção da navegação elevou os preços da energia e aumentou a incerteza sobre o fornecimento de combustíveis em diversos mercados.