Catedral: a fé de um povo em cima de um milhão de tijolos
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sexta, 30 de janeiro de 2026

Na manhã de 18 de setembro de 1950, ao espoucar de foguetes, iniciaram-se os trabalhos da limpeza do solo, onde seria construída a Matriz. Os trabalhos foram feitos por voluntários. As pedras dos fundamentos foram transportadas em carroças. Foram 1.320m3 plantados em 4 metros de profundidade. Ticiano Bettanin desenhou a planta. Não há viga sustentando os 1.185.000 tijolos maciços. No levantamento das paredes não entrou cimento, apenas cal e areia. Das 34 colunas enfileiradas partem os arcos que vão se encontrar no teto, como mãos em prece. Não entrou a participação do ferro, exceto no coro. Estes dados foram fornecidos pelo mestre Otávio Guidini, homem de confiança do monsenhor Batistella, o autêntico pai da Igreja Matriz.

A pintura esteve a cargo de Emílio Zanon, patrício de Rafael, que produziu um legítimo catecismo em cores. No alto figuram os Sete Sacramentos, com sua eloquente simbologia. Na frente do presbitério, está a Crucifixão do Senhor, centro da religião. Em cima, como a lembrar para todas as missas, foi desenhada a Última Ceia, isto é, a primeira missa rezada sobre a terra. Ao lado, ainda estão perfilados os quatro evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João, com sua marca característica. Todas as janelas, autênticas aberturas góticas, são constituídas de vitrais com motivos litúrgicos. Nas laterais, não poderiam faltar as 14 estações da Via Sacra.

As torres de 63 metros escalam os céus, mostrando a Igreja para o povo. Nelas foi montando o relógio gigante, fabricado em Estrela, cujos pêndulos pesam 150, 75 e 50 kg cada. Quando bate o sino, os paroquianos podem ver as horas de qualquer direção. Como na época, o povo não tinha muitos relógios, este era o cronômetro da cidade.

Muitos questionam o custo da obra. É bom lembrar que, a paróquia possuía então aproximadamente 6.000 habitantes. Foram gastos na construção da catedral, os valores de CR$ 24.887.254,00. Para se raciocinar, e ter um parâmetro, a festa de Santo Antônio naquele ano rendeu CR$ 100.000,00. Sendo assim, seriam necessárias 240 festas; em outras palavras 240 anos. A construção levou nove anos.

Como o monsenhor conseguiu esta montanha de dinheiro? Com dotes, talento e força de persuasão estimulou o desenvolvimento da Paróquia. Foram dele o Colégio Auxiliadora, o Hospital de Caridade, o Pré-Seminário, a UNAC e foi personagem destacada na emancipação do município. Plantou. E na hora da colheita foi cobrar o imposto devido a Deus! Entrava nas propriedades, arrebanhava bois e suínos, repontava galinhas, ensacava toneladas de trigo e feijão e estabelecia quotas em espécie para comerciantes e bodegueiros.  A população esperneava e gemia, já que a maioria era gringa. Mas na hora da reza de contas, todos ficavam orgulhosos por terem contribuído. E estavam cientes que jamais faltaria pão na mesa da família que depositava trigo no altar. Deus nunca se deixa vencer em generosidade.

Esta igreja matriz se transformou em CATEDRAL, trazendo para a região, não apenas dividendos espirituais, mas também econômicos. A catedral é a 7ª Maravilha arquitetônica religiosa do Brasil. Graças a um gênio denominado Vítor Batistella e a um povo que soube e sabe honrar o seu Criador. E tem orgulho de ser cristão.

 

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