Aos agricultores, especialmente os da Região Sul, vem se queixando dos baixos preços de comercialização do leite e do arroz. Me limito, neste espaço a tratar desses dois produtos que historicamente fizeram parte do cardápio diário dos brasileiros, muito embora outros produtos apresentam sinais idênticos. Quais seriam os verdadeiros motivos para os baixos preços de mercado?
Ouço muitas pessoas dizendo que as importações são o grande causador da diminuição dos preços e consequentemente das dificuldades de venda dos produtos. Meus familiares estão neste contexto, o baixo preço coloca em risco essa atividade tão importante para o país e para as famílias.
Passei a observar nos mercados regionais e da capital a existência desses dois produtos importados. Fiquei surpreso pois não via quase nada de leite e de arroz importados, vi isso sim, muitos produtos brasileiros, inúmeras marcas nas prateleiras, mas poucas pessoas comprando e aquelas que compravam pegavam poucas unidades dos produtos. Uma observação, uma evidência constatada.
Então se não há muitos produtos importados por que os preços são baixos? E por que se os preços dos dois produtos baixaram, o consumo não aumentou? A lei econômica da “oferta e da procura” ainda é válida? Se for verdadeira essa afirmação, temos um indicador de um dos motivos do baixo preço. E a oferta aumenta pelas características do brasileiro que ao vislumbrar um negócio rentável, também entra no negócio e a lei da oferta e da procura aparece.
O consumo de leite e arroz no Brasil vem diminuindo nos últimos anos por uma combinação de fatores econômicos, culturais e alimentares. Eis os motivos. Não é apenas um motivo isolado, mas várias mudanças acontecendo ao mesmo tempo impactam no consumo.
Em síntese, a análise do cenário demonstra que a explicação para os baixos preços do leite e do arroz não pode ser atribuída de forma simplista às importações. A observação da realidade nos mercados revela que há predominância de produtos nacionais nas prateleiras, mas uma demanda relativamente menor por parte dos consumidores. Isso indica que o problema pode estar mais relacionado ao comportamento do consumo e ao equilíbrio entre produção e procura do que propriamente à concorrência externa.
Além disso, percebe-se que, mesmo diante da redução dos preços, o consumo desses produtos não apresenta crescimento significativo. Tal fato sugere mudanças nos hábitos alimentares da população brasileira, que progressivamente substitui alimentos tradicionais por outros produtos ou reduz a quantidade consumida. Dessa forma, a lógica econômica da oferta e da procura continua válida, apontando que o aumento da produção, aliado à diminuição ou estagnação do consumo, contribui para a queda dos preços no mercado.
Por fim, é necessário refletir sobre os desafios enfrentados pelos agricultores, especialmente os da Região Sul, que dependem diretamente dessas atividades para a manutenção de suas famílias e comunidades. Compreender as verdadeiras causas da desvalorização desses produtos é fundamental para que se busquem soluções que fortaleçam o setor produtivo, valorizem o trabalho do agricultor e garantam a sustentabilidade de atividades que historicamente sempre tiveram grande importância para a alimentação e para a economia do país.