Capitalistas – quero significar os que moram na capital. Pois os porto-alegrenses têm mais condição de entender os meandros do Sport Club Internacional do que nós, do interior, que para assistir um jogo, perdemos um dia em deslocamento e despesa. Nós apenas pagamos mensalidade e sofremos. Dada a recente conquista gremista, a quem expressamos cumprimentos TREScolores, pela picardia com que ergueram a taça, embora sofrendo 14 x 1 escanteios na final, penso que cabem algumas ponderações:
1º - Sabíamos que um dos requisitos para ser campeão era o saldo de gols. Como é que o nosso time vai jogar a primeira decisiva, na casa do adversário, todo ‘faceiro’, diante de uma torcida feroz? Não sabiam que enfrentariam um Grêmio, que não é o Fortes e Livres de Muçum? “Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”. Por que não armaram uma retranca?
2º - Nossos dirigentes esqueceram o viés esportivo do Daronco e do Nobre Bins? São ótimos árbitros e agiram corretamente ao expulsar o Bernabei. Mas atentem para um detalhe, quase tradição: “O Inter sempre perde com os ‘melhores’ árbitros...” No cotovelaço do Arthur no Borré, o Bins explicou que “é o Borré que faz o movimento da cabeça contra o cotovelo do Arthur”... (O Mombach registrou no jornal) O Técnico argentino Menotti falava: “Em futebol e política só existe um crime: PERDER”. Não tiveram a habilidade de, antes do jogo, usar dos microfones, e condicionar os árbitros mencionando fatos passados? Resultado: caímos diante de 3 x 0, praticamente irreversível. E todos constataram a ‘imparcialidade do apito’ nos dois Gre-Nais...
3º - No momento da expulsão do nosso lateral, ficando o Inter com dez, por que de imediato o treinador não tira o inútil Vitinho e planta mais um defensor, fechando a ‘casinha’, apatifando o jogo e “bola pro mato que o jogo é de campeonato”? Esperou o intervalo, já com 2 x 0 para efetuar as modificações. Nós, a 400 kms de distância, cheirávamos o iminente desastre, exceto os dirigentes à beira do gramado. E nem falemos do Brasileirão: Em 15 pontos disputados, faturamos dois, amargando a rabeira do campeonato. “A glória do desporto nacional”... é agora vergonha nacional.
4º - A atual diretoria governava o Inter por três anos. Neste mandato, disputando cinco campeonatos, conseguiu um mísero título de campeão gaúcho, deixando os demais gauchões ao Co-Irmão! Vai para as urnas... e é reeleita. O que querem mais? O povo colorado da capital avalizou a gestão. E, não estou bem ao par, mas as finanças que giravam em torno de um déficit de R$ 400 milhões saltaram para mais de um bi. Aliás, soube que, há anos, o Inter era o segundo maior clube do país em arrecadação, perdendo para o primeiro por apenas R$ 9 milhões. Hoje, para alcançar o topo em arrecadação, necessitaria de R$ 1,2 bilhões. Estamos antevendo o final: vão transformá-lo numa iníqua SAF. Seríamos condenados a torcer então para uma Ford, uma Nestlé ou uma indústria qualquer de biscoito ou mortadela. Será que, no universo rubro, não se encontra um líder em condições de administrar o clube?!
5º - Vem-me à lembrança a sentença de Cícero, que poderia ser endereçada ao presidente Barcellos: “Quo usque tandem abutere, Barcellos, patientia nostra? Ubinam gentium sumus?” (Em que situação estamos, ó povo colorado? Até quando, ó presidente Barcellos, abusarás da nossa paciência?) Vai para o sexto ano a gestão, com um modesto título tão somente. Mas a atual gestão não tem culpa das suas qualificações e pobres conquistas. Competentes foram seus eleitores capitalistas!!!