Líder ou Gestor?
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segunda, 09 de março de 2026

Muito já se escreveu sobre a diferença entre um líder e um gestor, na medida em que gestores necessariamente não são líderes já que esta característica não nasce com todos nós. Tenho severas ressalvas quanto aos cursos que prometem formar um líder em um fim de semana imersivo, mas acredito que as qualidades de um possam inspirar aqueles que desejam tentar seguir tais preceitos. Liderança é uma característica nata, assim como ter caráter, ser bondoso, ser ético, etc. Logo, complicado as promessas que visam acrescentar uma característica tão forte como a liderança em quem não a possui. Sem teorizar o assunto, ser líder é conseguir respeito e apreço sem o uso da força coercitiva do verbo, da intimidação, do assédio ou outras ações que obriguem o staff a participar que seja, de uma confraternização ou palestra. O líder não manda, pede e isso faz uma enorme diferença na vida organizacional. O líder desburocratiza processos rotineiros. O líder não complica nem centraliza. O líder não controla, confia até que lhe provem o contrário. O líder não perde tempo em se ocupar da vida dos seus subordinados com perguntas cretinas ou indiscretas sobre suas vidas. Tampouco se envolve em cada passo que o funcionário dá, pois a era taylorista e fordista já passou faz tempo, assim como as preocupações iniciais de Mayo com o público interno já não atendem a sociedade vigente. Estamos no século XXI e ainda reféns de velhas posturas de gente que reproduz discursos não vividos e retrógrados, quando deveríamos estar no apogeu na evolução das relações humanizadas nas organizações. Sem dúvida, estagnamos e até tivemos alguns retrocessos. Não me refiro a processos ou aportes tecnológicos, mas a qualidade das relações nas organizações. Diagnósticos volte e meia apontam a necessidade de treinamentos. Ainda existem dificuldades em gestar os interesses das organizações com os dos colaboradores e a coisa pode piorar se quem estiver capitaneando for incapaz e não for um líder nato. Na vida organizacional, pessoas se destacam até varrendo o chão, enquanto outras não conseguem decolar mesmo investidas de um cargo de comando. Fazer o que, nem todos foram feitos para administrar. A racionalização da força de trabalho aludida pelo sistema Toyota em administrar, fala de um líder que ao mesmo tempo que coordena a equipe, também executa tarefas conjuntas com o grupo, havendo o tradicional revezamento de lideranças a fim de que todos possam se experimentar nessa atividade. Perfeito do ponto de vista de igualdade de direitos, entretanto problemático se a bola da vez for alguém inapto à liderança, pois certamente usará o poder de forma equivocada. Assim, a prece de todo mundo que trabalha é não ter um louco no poder, às vezes se consegue.     

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