O Internacional estreia na Libertadores nesta quinta-feira, 3, contra um adversário conhecido: o Bahia, fora de casa. A partida promete estádio lotado. Segundo o clube mandante, aproximadamente 35 mil ingressos já haviam sido vendidos até a noite de segunda-feira,31, três dias antes do confronto na Arena Fonte Nova, marcado para as 19 horas. A expectativa é de um público próximo a 50 mil torcedores.
Reencontro
A estreia do Internacional na competição continental ganha um tempero especial, considerando que seu adversário está de volta à Libertadores após mais de três décadas. Na última edição em que participou, enfrentou justamente o Inter. Naquela ocasião, as equipes se enfrentaram tanto na fase de grupos quanto no mata-mata, em que a equipe de Porto Alegre levou a melhor. Diante desse cenário, questiona-se a possibilidade de um clima de revanche.
Fase de grupos de 1989
Bahia e Internacional, respectivamente campeão e vice do Campeonato Brasileiro de 1988, foram os representantes do Brasil na Libertadores do ano seguinte. Curiosamente, a estreia de ambos na competição aconteceu apenas dois dias após a final do Brasileirão, que se encerrou em fevereiro de 1989.
Naquele período, o regulamento da Conmebol previa que clubes do mesmo país fossem alocados no mesmo grupo. Com isso, os finalistas do torneio nacional voltaram a se enfrentar, agora no cenário continental.
Pela fase de grupos, o Tricolor baiano levou a melhor, vencendo o Colorado nas duas partidas: 2 a 1, em Porto Alegre, e 1 a 0, em Salvador.
Mata-mata
O Internacional avançou ao mata-mata como terceiro colocado do grupo e iniciou sua trajetória de recuperação. Após uma goleada sobre o Peñarol, o Colorado reencontrou o Bahia, que havia eliminado o Universitario-PER.
Dessa vez, foi o Inter quem levou a melhor. Diego Aguirre marcou o único gol do confronto eliminatório. A equipe gaúcha venceu por 1 a 0 no Beira-Rio e segurou um empate sem gols na Fonte Nova, em um campo encharcado devido a uma forte chuva em Salvador. O episódio ficou marcado entre os torcedores do Bahia, que até hoje lembram a partida como "aquela que não deveria ter acontecido" devido às condições climáticas adversas.
Revanche
Apesar de terem se passado 36 anos, o cenário apresentado mantém algumas semelhanças com o duelo do passado. O Bahia, além de retornar à competição, volta a contar com um grande elenco, assim como seu adversário, que segue ganhando destaque no futebol nacional. Esses fatores eram os mesmos na época, tornando o reencontro parecido, porém em um palco mais moderno, impulsionado pelas boas atuações e pela conquista do campeonato estadual.
Contudo, a expectativa da torcida do time baiano está mais voltada para o retorno do clube à Libertadores e para a busca por uma vaga no mata-mata do que para qualquer sentimento de revanche contra o Inter. Os tricolores enxergam a competição como uma grande oportunidade de celebrar a volta à elite do futebol sul-americano, embora o confronto tenha um significado especial devido ao histórico entre as equipes.
— Talvez a única "mágoa" seja por conta do jogo que não deveria ter acontecido na Fonte Nova, nas quartas de final de 1989, quando o gramado alagou e Arnaldo Cezar Coelho (árbitro da partida) bateu o pé firme de que haveria jogo — completou Antônio Neto, torcedor e funcionário do Bahia.