A tal da Incompatibilidade de Gênios
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sexta, 14 de março de 2025

Existe um oceano imenso entre: o silêncio e a agitação; o sertanejo e o rock; pilhar para ir para balada e hibernar; gostar de pratos gourmet e preferir fast food; amar futebol e odiar; o uísque e o suco; o campo e a cidade; a praia e a serra; ter estilo descolado e ser clássico; ser simples e ser sofisticado afora a rivalidade entre pessoas que torcem para times diferentes e apoiam causas ou legendas partidárias em que um se joga e o outro repudia. A Lei de Newton definitivamente não se aplica em relacionamentos sendo ilusão achar que maneiras de ser tão distintas podem combinar e se amalgamar até que a morte os separe. Se no começo tudo são flores e existe até o fetiche de experimentar o novo e que difere das nossas referências, quando a paixão vai embora deixa uma lupa de presente aos enamorados que começam realmente a enxergar um mar de desagrados. Nesse despertar tem gente que se desespera, acha que enlouqueceu ou acordou de uma bebedeira, tamanho estranhamento ao perceber um outro tão diferente ao lado. O período que inicia é o de negociação, do tipo você muda nisso e eu naquilo. São feitas listas e promessas quando não, apostas de que tudo voltará a calmaria dos primeiros tempos. Só que mudanças só são ativadas quando existe um real entendimento da sua necessidade e no quanto nos beneficiará, do contrário, sempre haverá um sentimento de perda, de negação ou de submissão fazendo com que volte e meia joguemos na cara do outro nossas frustrações. Para quem tem irmãos, o exercício conciliatório inicia desde cedo, no quarto, na divisão das roupas no armário, na hora do silencio e de apagar a luz e no revezamento do controle da TV. Depois, chega a fase da faculdade, das repúblicas de estudantes que são um aprendizado de tolerância e paciência na soma de tantas vontades confinadas em um espaço único. Mas, a prova final, sem dúvida é para quem resolve “juntar as escovas de dente” quando o amor bate à porta, podendo ter um final feliz ou dramático intitulado por “Incompatibilidade de Gênios”, a decisão é nossa. A negociação é uma boa ferramenta para gente que precisa conviver ou morar junto, minimizando humores alterados e auxiliando nas mudanças acordadas. Na categoria das “mudanças difíceis” existem os vícios de toda espécie (cigarro e outras drogas, álcool, jogatina) e as manias como a de limpeza por exemplo, aquele que tem um padrão exagerado por arrumação se incomoda com a sujeira e a bagunça enquanto aquele que leva a vida mais light, se estressa com o constante pano na mão do limpador. Também existem as “mudanças temporárias”, como uma dieta de ocasião que exige parceria mas pode acabar em estresse. Imagina um casal acostumado a comer lasanha, risoto, feijoada ou um grupo de amigos habituados a um happy de drinks e petiscos, mas de repente alguém entra em dieta.... Os boicotes para que o cardápio seja quebrado não são raros e surgem através de convites irresistíveis como: “Ah, só um chopinho não vai fazer a diferença! Quem sabe um bolinho de bacalhau para acompanhar? Não dá nada, amanhã você recupera na academia...”. Evidente que um chopp pede outro e ninguém consegue restar em um só bolinho. É como o chocolate BIS, comemos a caixa toda e mesmo com culpa, restamos felizes. Entre vícios e manias, ainda acredito no ato conciliatório sem dor, onde cada um faz o que quer e depois se encontra ali, no caminho do meio, para ser feliz.

 

Bons Ventos! Namastê.

 

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