Prazer em me conhecer
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sexta, 27 de fevereiro de 2026

Quando nascemos nos codificam com um nome e na sequência, surgem uma série de carteiras e números para comprovar nossa identidade e quem somos. Passamos boa parte da vida confirmando essa identidade, seja ao responder diariamente a chamada na sala de aula, ao falar para o lojista nosso CPF ou RG, usando o passaporte em viagens, no trânsito, enfim, há um cabedal de números que nos representam, mas que talvez não nos traduzam em nossa essência. Mas será que realmente sabemos quem somos? E se não sabemos, como exigir que os outros nos entendam? Nossa identidade é construída por uma série de atributos reais e simbólicos, físicos e abstratos, envolvendo de onde viemos, o que fazemos, nossos gostos e escolhas pessoais. O resumo da junção de todas essas características responde ao nosso estilo de vida: do que somos ou do que fingimos ser. Aristóteles falava que “A primeira qualidade do estilo é a clareza”, ou seja, a autenticidade do que somos e gostamos, sem se preocupar se esse estilo vai ou não agradar.

A busca pela aceitação nos faz refém de modelos politicamente aceitos pela sociedade e nos desata de nós mesmos. A ponto de muitas vezes vivermos personagens bem díspares da nossa realidade, que se traduzem em uma caricatura grotesca do nosso eu. Viver não é seguir modismos, mas escolher o melhor modo de ser feliz. É reconhecer nossas limitações e procurar inspiração no que é possível sermos. Portanto, assuma-se e tome as rédeas da sua vida ao invés de espreitar a alheia. Seja autêntico nos seus gostos e não viva em uma metamorfose ambulante a mercê dos acasos da vida, uma vez que a autenticidade é o antídoto da hipocrisia. Apenas seja o que você é, pois isso já é um começo! Seja verão e dê de ombros se criticam o seu eterno bronzeado. Seja outono e se delicie com o tapete de folhas matizadas que a estação promove e os bons vinhos e queijos propícios à época. Seja de você antes de ser de alguém. Seja transitório, pois quem disse que o eterno necessariamente é bom. Seja de Roma, de Itacaré, de Porto Alegre, de Frederico Westphalen, seja cosmopolita. Seja teatro, cinema, show de rock ou erudito. Seja food-truck, spaghetti ao pesto e panna cota. Seja lua cheia e sol de meio dia. Seja oceano e montanha.

Praticar o autoconhecimento exige coragem para que medos e frustrações sejam explorados e banidos, ao passo que também requer que estejamos abertos ao entendimento de questões difusas e conflitos internos, dando lugar a ampliação da consciência e a construção de um sistema de crenças que responda com o que realmente somos. Não adianta protelar já que “Algum dia, em qualquer parte, em qualquer lugar, indefectivelmente, encontrar-te-ás a ti mesmo e essa, só essa, pode ser a mais feliz ou a mais amarga das tuas horas. ” (Pablo Neruda).

 

                                                                        Bons Ventos! Namastê.

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