Nós vamos invadir sua praia
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sexta, 27 de fevereiro de 2026

“Agora se você vai se incomodar/Então é melhor se mudar/Não adianta nem nos desprezar/Se a gente acostumar a gente vai ficar/A gente tá querendo variar/E a sua praia vem bem a calhar”.

A música do Ultraje a Rigor – banda famosa nos anos 1980 – além de fazer grande sucesso; brinca com as condições das praias brasileiras. Naquela época, ainda não tinha os graves problemas que hoje enfrentamos nas praias catarinenses – não só nelas – como: devido aos efeitos do aquecimento global – que muitos querem negar, para continuar lucrando – o excesso de chuvas, que nos afasta de aproveitar o verão; as inundações que causam tragédias por todos os lados, com estradas destruídas; e com as viroses tomando conta, pois é difícil voltar das praias sem algum tipo de problemas de saúde, geralmente causado pelos roedores. “As principais doenças transmitidas por ratos são a leptospirose, hantavírus;              por exemplo, causando sintomas como febre, dor de cabeça, vômitos ou diarreia”.

“Segundo dados do Crédit Suisse para 2016 mostram que oito famílias detêm um patrimônio igual ao da metade mais pobre da população mundial, resultado direto dos mecanismos financeiros, e o 1% mais rico controla mais da metade da riqueza mundial, ou seja, 1% tem mais patrimônio que os 99% de comuns mortais”.

Destes 99%, vinte por cento pertencem à chamada classe média – que são os pobres que atingiram uma condição financeira melhor; mas, estão mais perto da pobreza do que da riqueza (pois servem de trincheira para que os trabalhadores não perturbem  aqueles que fazem parte do um por cento).

                O município de Palmeira das Missões foi atingido por um forte temporal, causando sérios prejuízos financeiros, para particulares e o patrimônio público. Em maio de 2024, nossa região e o estado foram atingidos por uma enchente histórica. No entanto em 2025 foi aprovado o Projeto de Lei 2.159/2021 que trata do licenciamento ambiental no Brasil e estabelece novas normas para o processo. Ele propõe a criação de novos tipos de licença, como a Licença Ambiental especial e isenta atividades do licenciamento.

                Este projeto conhecido como “PL da Devastação (destruição) do Meio Ambiente”, tem foco na “flexibilização e simplificação” de processos. Entre as mudanças destaca-se a criação da Licença Ambiental por Adesão e Compromisso (LAC), que permite ao “empreendedor” se autodeclarar em conformidade ambiental, sem necessidade de estudos prévios ou análise técnica detalhada.

                Com leis (anteriores) um pouca mais severas já acontecia muita destruição; como vai ficar com esta “flexibilização”, ou resumido: cada “empreendedor” faz um estudo do que pode ou não pode fazer, avalia, aprova, e emite sua própria licença. Pessoas de bem; chamados de “inocente útil” acham que está tudo normal, que é assim mesmo e ponto. Será? Mais uma notícia recente em Minas Gerais.

“Juiz de Fora enfrentou enchentes devastadoras devido a fortes chuvas, registrando o fevereiro mais chuvoso da história, com 584 milímetros acumulados. A cidade decretou estado de calamidade pública com 16 mortes e 440 desabrigados”. (Fonte: Google)

As praias já foram invadidas, agora chegou a vez de nossas cidades...

        

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