A zebra
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sexta, 20 de março de 2026

O futebol é um esporte apaixonante justamente por nem sempre prevalecer a lógica. Não é por nada que criaram a imagem da simpática zebra para abrilhantar confrontos com esse tipo de roteiro, seja jogo de Copa do Mundo, seja quando o time da 5ª série faz 1 a 0 na turma da 8ª e segura o placar na marra até o final.
Aliás, eu tive o prazer de viver essa situação. Nosso time da 5ª série venceu os marmanjos da 8ª no futsal, bem no cenário que citei acima. Achamos um golzinho aleatório no começo e depois foi um bombardeio, mas a bola deles não entrou. Foi melhor do que tirar 10 em Matemática. Naquele dia a zebra passeou galopando de cabeça erguida e sorriso largo.
Para quem não sabe, vai aí uma curiosidade: a origem da expressão “zebra” no futebol está no Jogo do Bicho. Nele, existem 25 animais disponíveis para serem apostados, mas nossa amiga não está relacionada. É por isso que quando um favorito perde, a turma diz que “deu zebra” devido ao resultado inesperado.
Zebras sempre fizeram parte do futebol. Essa é a parte bacana, porque se o favorito sempre ganhasse seus jogos, que graça teria? Aqui no nosso rancho mesmo podemos citar duas: o Caxias que ganhou do Grêmio de Ronaldinho em 2000 (com direito a goleada no jogo de ida) e o Novo Hamburgo que se sobressaiu diante do Inter, em 2016.
Uma zebra que nunca desgrudou de minha pele foi aquela vitória da Itália contra o Brasil, em 1982. Aquela Copa era para ter sido nossa, com os atletas jogando de vendas nos olhos e cada um com uma perna atada. Mas o futebol não quis assim e todo mundo sabe o que aconteceu. E a zebra foi tão audaciosa que essa mesma Itália, que chegou toda errada na competição, levantou o caneco. E na última Copa, quando a Arábia Saudita venceu a Argentina? Essa é a graça. Principalmente por se tratar da Argentina.
Já vi o Santo André ganhar a Copa do Brasil. E naquela competição eles derrotaram o 15 de Campo Bom na semifinal. Quase que o simpático 15 fez história. E na final daquele ano o Santo André despachou o Flamengo. Naquela competição a rainha das zebras passou uma temporada cheia por aqui. Já vi, também, o Paulista de Jundiaí ganhar esse torneio. E também já vi Brasiliense e Figueirense chegarem à final, sem o título, mas tendo eliminado gente grande. Manada de zebras, digamos assim.
Que o futebol continue assim, com a nossa amiga zebra dando as caras de vez em quando. É melhor que ela permaneça por aqui, com toda a sua graça, e siga de fora da lista do Jogo do Bicho. Até porque seria um tanto irônico se ela fizesse parte: alguém ganharia apostando nela e todos diriam que “deu zebra”. Portanto, é mais apropriado que ela fique conosco e que, por lá, continue dando cobra ou águia. Soaria menos confuso.

PAPO DE FÉ

“E lembrem-se disto: estou sempre com vocês, até o fim dos tempos”.
– Mateus 28:20
 

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