Colocando a lupa na Geração Alfa
Os textos e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, e não traduzem a opinião do jornal O Alto Uruguai e seus colaboradores
terça, 14 de abril de 2026

Se você tem um pré adolescente em casa, por volta dos 10 aos 15 anos, já convive com um representante da chamada Geração Alfa. É aquele menino ou menina que pega o celular da mãe e diz com naturalidade: “deixa que eu faço”. Em poucos segundos resolve algo que parecia complicado, como se já conhecesse o aplicativo recém baixado há muito tempo.
Essa habilidade não é por acaso. É resultado de uma geração que nasceu cercada por telas, aprendeu a mexer em celulares antes mesmo de saber ler e escrever. Para eles, o mundo digital não é novidade, é parte da rotina.
A Geração Alfa, formada por quem nasceu a partir de 2010, cresce conectada a celulares, tablets e redes sociais. Esse contexto traz oportunidades importantes, mas também desafios que merecem atenção.
Por um lado, esses jovens têm acesso a um mundo sem fronteiras. Um adolescente pode jogar online com pessoas de outros países, trocar experiências e ampliar sua visão de mundo. A informação está disponível o tempo todo, o que facilita o aprendizado e estimula a curiosidade.
Por outro lado, o excesso de tempo em frente às telas reduz a convivência presencial. Brincadeiras na rua, conversas em família e interações com colegas acabam ficando em segundo plano. Muitos jovens passam a preferir o ambiente virtual, o que pode gerar isolamento e dificuldades emocionais, especialmente pela comparação constante com padrões das redes sociais.
Outro ponto relevante é o impacto no consumo. A Geração Alfa já influencia diretamente as decisões de compra da família. É comum uma criança pedir um produto porque viu um influenciador ou sugerir um restaurante com base no que apareceu no celular. Esse comportamento tem um lado positivo, pois muitos jovens valorizam marcas com responsabilidade social e ambiental.
No entanto, há riscos. A publicidade direcionada e o funcionamento dos algoritmos estimulam o consumo desde cedo. Além disso, ocorre um fenômeno importante: os filhos passam a influenciar os pais, indicando produtos, aplicativos e até formas de fazer as coisas. Isso pode reduzir o papel tradicional dos adultos como referência, transferindo para a internet parte dessa função.
Olhando para o futuro, a Geração Alfa será a primeira totalmente nativa digital a chegar ao mercado de trabalho. Terá facilidade com tecnologia, inteligência artificial e automação. Também tende a buscar ambientes mais flexíveis, colaborativos e com propósito.
Mas esse cenário exige atenção. A dependência das tecnologias pode dificultar o desenvolvimento de habilidades interpessoais como diálogo, empatia e trabalho em equipe. Além disso, o ritmo acelerado de mudanças pode gerar ansiedade. Um jovem que domina uma ferramenta hoje pode se sentir inseguro amanhã diante de novas exigências.
A Geração Alfa representa o presente e o futuro de uma sociedade cada vez mais digital. As oportunidades são grandes, mas os desafios também. O papel das famílias, das escolas e das empresas será encontrar equilíbrio. Mais do que dominar a tecnologia, será essencial formar jovens capazes de se relacionar, refletir e construir vínculos fora das telas. Resumindo: temos que ensinar a nova geração que chega, que não há nada mais importante do que a conversa olho no olho.

Fonte: