Rainha do Mar
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sexta, 31 de janeiro de 2025

O Brasil, com todo seu sincretismo religioso que nos orgulha e faz mais tolerantes, comemora no próximo dia 2 de fevereiro, em várias partes do país o Dia de Nossa Senhora dos Navegantes ou o Dia de Iemanjá. Dia 2 de fevereiro, é dia de firmar o rezo na linha do mar e saudar a Rainha das Águas, seja lá o nome que você escolha lhe dar, pois o que importa é a fé que cada um carrega. Em cidades como Porto Alegre, Nossa Senhora dos Navegantes é muito festejada tendo carreata do santuário na zona norte da cidade que leva o seu nome até a Igreja do Rosário, no centro na capital. Neste ano jubilar de 2025, comemora-se a 150ª edição: 150 anos, caminhando com Maria, Mãe da esperança, com o tema: “Com a mão dos Navegantes, caminhar na esperança!” Os primeiros devotos surgiram na época das Cruzadas, quando portugueses e espanhóis faziam pedidos em busca de proteção para cruzar o Mediterrâneo rumo à Palestina. Os fiéis, tinham por hábito assistirem a Santa Missa em devoção a “Estrela do Mar” - como também era designada a Santa - para que lhes mostrasse a melhor rota e porto seguro. Assim, praticamente todas embarcações da época ostentavam em sua proa, imagem da Santa junto com uma lâmpada de fogo que nunca era apagada. Contudo, para outros tantos fiéis, as preces nessa data são dedicadas a Iemanjá (da expressão Iorubá, Yèyé omo ejá), que significa “Mãe cujos filhos são peixes”. Este orixá africano é uma deusa respeitada e cultuada, responsável pela proteção dos pescadores, jangadeiros, da fecundidade e da família. A curiosidade é, que apesar de no Brasil a santa ser cultuada como a mãe das águas salgadas, sua origem é do rio Yemojá que corre para o mar, tanto que sua principal saudação é “Odó-Iyà” (mãe do rio). Que na fusão de duas preces dedicadas às Santas, possamos reforçar a nossa Fé por dias melhores para nós e para o mundo “Ó Nossa Senhora dos Navegantes, Santíssima filha de Deus, criador do céu, da terra, dos rios, lagos e mares; protegei-me em todas as minhas viagens. Fazei, senhora rainha das águas, com que a espuma das ondas em sua alvura imaculada traga-nos a presença de Oxalá, limpe os nossos corações de todas as maldades e mal querência. Que os nossos corpos, tocados por vossas águas sagradas, libertem-se em cada onda que passa, de todos os males materiais e espirituais.” E para quem estiver junto ao mar, vale pensar no rezo das ondas onde pular a primeira afasta desejos de vingança em nós, a segunda nos livra das infâmias e desafetos, a terceira nos afasta da vaidade extrema, a quarta nos traz saúde, a quinta nos distancia da cobiça e do poder, a sexta nos aproxima do amor universal e a sétima onda, nos permite (mesmo que impuros de alma), sentir a grandiosidade e o esplendor das bênçãos da Santa. Odôiyá doce mãe!

 

Bons Ventos! Namastê.

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