A percepção da direita no contexto do filme Ainda Estou Aqui
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terça, 04 de fevereiro de 2025

Ainda que tardiamente, assisti ao filme Ainda Estou Aqui, com a sensibilidade social e política trazida pelo contexto histórico do filme e, em especial, pelo drama biográfico de uma família que sofreu com os abusos e as injustiças praticados pela ditadura brasileira.

            Após o filme minha mente se reportou às várias seções de pesquisa qualitativa realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião com distintos grupos representativos dos ±25% da população brasileira que atualmente defendem a ditadura em detrimento à democracia.

A maior parte das pessoas favoráveis à ditadura e aos pedidos de intervenção militar não estão associadas à ideologia ou a um partido político. São pessoas que poderiam ver o filme, se sensibilizar com ele e responder que não é esse tipo de “ditadura” que eles imaginam.

O apoio à ditadura militar está associado à falta de credibilidade do sistema político vigente e à percepção de que os valores morais e sociais da população não estão sendo respeitados, pela ideia de que “há uma minoria querendo mandar na maioria”. Pode parecer estranho, mas o sentimento de impotência e perseguição é externado pelos atuais defensores de um possível regime militar, que demonstram as seguintes lógicas de defesa de uma ditadura militar:

1º) Descrença em relação ao funcionamento do Estado e falta de confiança nas instituições. As pessoas de menor renda são aquelas que necessitam mais de políticas públicas e, em muitos casos, também não conhecem ou usufruem de seus direitos;

2º) Falta de credibilidade das lideranças políticas. A maior parte está insatisfeita com o Presidente da República e com o Congresso (Deputados e Senadores). Essa insatisfação fomenta a percepção de que os atuais representantes do povo não estão à serviço do povo.

3º) Aumento da sensação de insegurança. Ao perceber que a ampliação da violência não é acompanhada de uma resposta adequada do Estado, a população passa a questionar o atual status quo e parte do pressuposto de que um governo militar seria mais eficiente.

4º) Preocupação com a corrupção. Uma parcela dos que defendem a ditadura acreditam que "não há mais moralidade nos políticos" e que o país precisa de seriedade e transparência com o interesse público, a fim de combater o interesse pessoal e a corrupção.

A maior parte dessas pessoas não nega a democracia, mas quer um caminho, quer uma luz no fim do túnel. Quer que haja líderes que cumpram o prometido, que tenham políticas públicas eficientes contra a violência e que defendam o bem comum, em especial, aos menos favorecidos. Afinal de contas, há tantas e tantas histórias dramáticas ocasionadas pela omissão e permissividade do sistema político brasileiro que dariam muitos filmes “homéricos”!

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