Panorama político 2025 sob a ótica do eleitor
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terça, 18 de fevereiro de 2025

A opinião pública, especialmente os formadores de opinião, se mostram muito preocupados com a ambiência política e econômica atual. As últimas pesquisas nacionais indicam que a popularidade do Presidente Lula vem caindo enquanto aumenta a preocupação da população com a inflação. Nas entrevistas fica claro o sentimento dos entrevistados sobre a diminuição de seu poder de compra e sensação de aumento do custo de vida. A população tem a sensação de que está ficando mais pobre!

O cenário internacional também tem assustado a população, seja pela tendência de conflitos armados mundo afora quanto pela quantidade de mudanças e imposições definidas pelo Governo Trump ao cenário global, com o propósito de estabelecer uma política mais isolacionista e nacionalista que pode trazer mais respingos para economia brasileira.

            A avaliação positiva de Lula em dezembro de 2024 era de 35% e em fevereiro de 2025 pontua com 24%. Uma queda de 11 pontos percentuais em menos de dois meses. E o eleitor está sendo altamente crítico, saindo da avaliação positiva para negativa, sem parar na avaliação regular. Essa insatisfação com a atuação do governo federal se soma à descrença tradicional com os políticos e motiva a população a pensar em alternativas ou a rever conceitos.

            As pesquisas quantitativas e qualitativas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião indicam que o primeiro movimento da população é de reinvenção, tentar se reorganizar para sobreviver financeiramente ao “aperto do cinto”. Os entrevistados afirmam que há mais de dois anos já haviam mudado itens da lista compra e agora estão no estágio de reduzir a quantidade de produtos consumidos.

O segundo movimento é o seu reposicionamento político, conforme cai a esperança com o governo Lula, maior é a tendência do eleitor se posicionar como alguém sem preferência ideológica. E este sentimento de desesperança também ocorreu com a gestão do ex-Presidente Bolsonaro.

 A pesquisa realizada pelo DataSenado indica 46% da população brasileira se autodeclara sem preferência ideológica ou partidária, não querem saber nem de Lula e nem de Bolsonaro. Estão preocupados com a resolução de seus problemas e desejam que o país tenha um líder à altura desta demanda. Demonstram sua descrença e indignação, mas não enxergam alternativas viáveis no cenário político. Estão à procura de uma nova liderança, de um novo portador da esperança!

Os brasileiros que se autodeclaram de direita correspondem a 29%, os de esquerda 15% e os de centro aparecerem com 11%. Logo, a influência da radicalização entre Lulistas e Bolsonaristas vai se restringindo às forças políticas de cada um dos campos e a maioria do eleitorado vai tentando procurar soluções alternativas para o cenário econômico em que vive, distanciando-se cada vez mais dos debates políticos.

Entretanto, o radicalismo e a polarização nos grupos de Whats e nas redes sociais deve se manter, ativado pela agenda de costumes, pelos valores morais e sociais que questionam as pautas identitárias.

 Contudo, o cenário de 2026 será desenhado por todas essas tendências preocupantes de 2025 e pelo desempenho de novas lideranças que possam emergir.

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