Tecendo a vida
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sexta, 21 de fevereiro de 2025

Churchill dizia sermos donos do nosso destino e capitães da nossa alma dentro no nosso livre arbítrio, porém, para que tenhamos precisão em nossas decisões antes é preciso conhecermos todas nossas potencialidades, rever nossa história de vida para compreender o presente e predizer o futuro, bem como estabelecer se mantemos velhas rotinas ou estabelecemos novos propósitos. Pois, muitos reclamam do destino e da falta de sorte ou blasfemam contra o divino por conta de seus infortúnios, quando na verdade, a predestinação dos eventos em nossa vida, na grande maioria das vezes, está arraigada a nossa conduta pregressa. Assim, seguindo o aforismo do oráculo de Delfos em conhecermos a nós mesmos, a maneira ideal de não sermos tão reféns do acaso, é nos tornarmos expertises de nós mesmos, ao invés de nos ocuparmos da vida alheia.

O destino foi tema mitológico em várias culturas ao longo do tempo, tendo em comum entre as lendas, a existência de “senhoras do destino”, que teciam a vida humana no começo, meio e fim. Na mitologia nórdica eram as deusas tríplices (Nornas, Urth, Weryhandi e Skuld); em Roma, as Parcas fiandeiras (Nona, Décima e Morta) que presidiam o nascimento, casamento e morte e na Grécia, as mouras tecelãs (Cloto, Láquesis e Átropos) que determinavam os destinos humanos. A ligação figurativa existente entre o ato de tecer com a construção do destino está diretamente relacionada à figura feminina a quem outrora não era permitido ler nem escrever. Logo, lhe restava contar histórias por símbolos que tecia substituindo o verbo, sendo o hábito de tecer, um conhecimento atávico transmitido sucessivamente por gerações, de mãe para filha. A importância dos símbolos expressos em tapeçarias ajudou a contar a história como uma forma de narrativa, no que Jung comenta ser a síntese entre o consciente e o inconsciente.

A maneira como escolhemos vivenciar o destino – se promissor ou pessimista – nos dará o estímulo necessário ou não para tecer metas em contraposição a fatalidades, pois se não podemos mudar os outros ou o curso de alguns acontecimentos, ao menos podemos ser responsáveis por fazer o nosso tear particular e criar nossa própria história. A responsabilidade com que escolhemos nossas meadas e tecemos nossas tramas diz quem somos e a que viemos, sendo felizardos àqueles que valorizam o sempre, vivem o agora, mas não se esquecem do ontem

Bons Ventos! Namastê.

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