A erva-mate de nome científico Ilex Paraguariensis; que os indígenas inventaram num processo magnífico de processamento. Ela não é uma “erva”; mas, é originária de uma árvore, que os Guaranis chamam de Caá; após os galhos cortados e as folhas sapecadas no fogo, desidratado nos jiraus, em seguida vai para o soque (termo usado no processo de moagem de erva que é colocada em pilões de ferro).
Há mais de 500 anos nossos povos originários tem o costume de tomar mate - o termo chimarrão tem origem nos imigrantes europeus pelo amargor da bebida.
O mate é uma erva originária da região sul da América do Sul, o que inclui o Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina. Os povos indígenas, em especial os Guaranis, foram os primeiros a fazer uso dela, especialmente para fins medicinais.
A história da erva-mate indígena; pode ser contada desde os tempos de exclusivo povoamento dos povos originários na América do Sul, seguidos da colonização ibérica até o início do século XVIII. Entre os séculos XVII e XVIII destacam-se os ervais inseridos no conjunto dos costumes desses povos, especialmente no dos Povos de Indígenas das conhecidas "Missões Jesuíticas", principais produtores de erva-mate.
Na música e na poesia os termos chimarrão e mate são usados com frequência; pois na maioria das casas dos moradores sul-rio-grandenses esta é a bebida mais consumida e como forma de recepcionar uma visita, uma demonstração de amizade.
Os Monarcas (Chimarrão): “Chimarrão lá na cozinha/É de relacionamento/Pra cevar o pai da moça/A consentir o casamento”.
Uma variedade usada principalmente para oferecer às crianças é o mate doce. Pode ser servido de várias formas: com hortelã; com frutas como morango, abacaxi, pêssego; com especiarias ao adicionar canela em rama, cravo-da-índia ou cardamomo (uma vagem, pertence à família do gengibre); leite ou leite condensado e coco.
Leonardo (Doce Amargo do Amor): “Me dê um chimarrão de erva boa/Que o doce desse amargo me faz bem/O amargo representa uma saudade/E o doce o coração que ela não tem”.
Odilon Ramos (Mateando com a Mamãe): “Mãe, me dá um mate?/E esperava, até que ela achasse/Que já dava pra dar um mate para o seu guri/Quantas lições de vida eu aprendi/No mate doce que minha mãe fez!/Aprendi obediência/Aprendi a ter paciência para esperar a minha vez”.
Saiba mais: (livro) A Fronteira: Mateando – Os ervais dos povos indígenas: história da erva-mate e do chimarrão (Tau Golin)
