O Jornal O Alto Uruguai publicou, no dia 22 de fevereiro, uma reportagem sobre a suinocultura em nossa região. Deixou muito leitor surpreso ao constatar que os dois municípios que desfrutam dos maiores abates são Rodeio Bonito, em primeiríssimo lugar, com 265 mil suínos abatidos, vindo Palmitinho em segundo, com 257 mil. Frederico ocupa a 5ª posição com 173 mil, aparecendo em 6º o meu Taquaruçu com 140 mil. Vista Alegre surge em 10º com apenas 63 mil. O Sol de América podia ganhar do Botafogo, mas na suinocultura perderam feio da gente. Chamou atenção Vicente Dutra, em 11º com tão somente 5 mil. Talvez tenham que tratar os suínos com sua rica água mineral. É útil lembrar que o primeiro lugar tem uma arrecadação de quase R$ 4 milhões, ao passo que o 11º míseros 70 mil. Se considerarmos o ranking estadual Rodeio e Palmitinho alardeiam o 1º e o 2º lugar também, enquanto Vicente Dutra é o 215º.
Não vamos desmerecer os municípios da nossa região que não gozam de uma posição vantajosa no setor suíno. Certamente eles se destacam em outros setores, tendo cada um, sua economia característica, o que faz da nossa região um território razoavelmente rico. Apenas repito este slogan de que “cheiro de porco é cheiro de dinheiro” porque era um mantra do imortal monsenhor Vitor Batistella. Eu mesmo ouvi, numa homília, criticar os criadores de porco preto focinho comprido, pois deveriam migrar para o porco Duroc. Na China, o governo está construindo chiqueirões em prédios, para baratear os custos da engorda.
Alguém escreveu que o mundo pode viver sem automóvel e sem celular, mas não poderá viver sem alimento. E os países que ocupam extensas áreas agriculturáveis são candidatos aos primeiros lugares na economia mundial. E o Brasil está nesta favorável posição. Mesmo não sendo ainda potência, o agronegócio é seu carro-chefe na exportação, o que se traduz em bilhões de dólares em divisas. Nossos governos não podem deixar de olhar com carinho os agricultores. Mesmo porque hoje muitos já abandonaram a enxada. Eu brinco com clientes do Sorriso quando se queixam do alto preço dos alimentos. “Se você acha que estes produtos dão muito dinheiro, vá trabalhar na roça”. Vale recordar a sentença, “destruam as cidades, e nós as reconstruiremos; destruam os campos, e morreremos todos”.
Não vou discutir se foi um bom ou mau presidente. Em todo o caso, na sua campanha presidencial, Jânio Quadros esbravejava que “se um agricultor procurar o Banco, não precisa fazer fichário para ele. Suas mãos calejadas são a garantia do empréstimo”. E como eu gosto de, nos meus escritos, resvalar para o viés religioso, observem como Cristo se apresentava nos Evangelhos. Como Pastor, e nós suas ovelhas. E suas parábolas quase todas agrícolas. Ele fala do vinhateiro que produz uvas, da figueira que não produzia figos, do agricultor lançando a semente que cai em terra fértil e à beira da estrada, que Ele era o Tronco da árvore e nós os galhos, da ovelha perdida que é encontrada. E quando se lavra a terra, não se olha para trás a fim de se constatar o quanto já realizamos. E hoje, nas santas Missas, ele se transubstancia na Hóstia feita de trigo e no vinho feito de uva: “Isto é Meu corpo e isto é Meu sangue”.
