Quando a vida nos aplica 7 a 1
Semana passada perdi um dos grandes amigos que a vida me deu. Tão cedo, tão jovem... A gente planeja o dia de amanhã, a próxima semana, o mês que vem, e de repente tudo termina daqui dois ou três minutos. Fica mais do que provado que os planos de Deus são infinitamente maiores do que os nossos.
O Mauricio Wiechorek era um cara de coração gigante. Não tinha ruim com ele. Exceto o fato de que torcíamos por times diferentes, mas sempre o perdoei por isso. Brincadeira a parte, isso foi o mais irrelevante entre as coisas relevantes, digamos assim. Até por que a história nos mostrava que mais sofríamos do que propriamente nos alegrávamos pelos nossos times.
Mas em uma coisa a gente era sincronizado: a Seleção Brasileira. Vou contar um episódio que vivemos juntos e que foi triste, para não dizer cômico. Ou cômico, para não dizer triste. Copa de 2014 em andamento, no Brasil, e ele me contou que na sua vizinhança a turma fechava e enfeitava a rua quando a Seleção jogava e que faziam petiscos para acompanhar o jogo. Em tom de brincadeira o xinguei por não me convidar. Disse-me para ir no próximo jogo e aceitei na hora.
Você já deve estar imaginando que jogo era, né? Sim, esse mesmo. Naquele dia, ainda pela manhã, ele me mandou mensagem dizendo que pela primeira vez não fariam nada. Pareciam prever. Também em tom de brincadeira, reforcei o xingão. Onde já se viu? Bem quando eu iria? Então ele me pediu para pegar umas cervejas e ir na sua casa assistir ao jogo. E eu fui.
Tomamos a sapatada do 7 a 1 e confesso que esse jogo foi o último pelo qual eu ainda morria de amor pela Seleção. Sigo torcendo e quero que ganhe sempre, mas não como antigamente. Quanto a nós, eu lá, “P da vida” com cada gol que a gente sofria e ele ria. Mas ria de um jeito que me deixava ainda mais irritado. Coisas do futebol. E da nossa amizade.
Essa foi apenas uma lembrança que vai ficar no meio de tantas, Maurício. Belas e inesquecíveis lembranças. Assim como a última, de quando fui me despedir de ti e parecer que te via sorrindo, como sempre foi teu jeito. Não consigo provar, mas tenho certeza que Deus te recebeu de braços bem abertos e já está te cuidando de uma maneira muito especial.
Ah, eu já estava esquecendo: no dia daquela goleada você disse que nunca mais veríamos um 7 a 1 novamente. Lamento, você se enganou. Levamos outra, mas não foi do futebol, até por que futebol é só um detalhe. Dessa vez levamos 7 a 1 da vida mesmo. A gente vai seguindo aqui, sem a tua alegria. Hora dessas nos encontramos de novo. Te amo, irmão!
PAPO DE FÉ
“Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações”.
– Salmos 46:1