Papo de Bola
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sexta, 13 de fevereiro de 2026

A graça que nunca acaba

Nem tinha acabado o jogo do Grêmio contra o São Paulo e recebo mensagem de um amigo gremista: “não adianta, o futebol perdeu a graça. Meu Grêmio investiu um monte e parece que não contratou ninguém”. Esse mesmo filho de Deus me manda nova mensagem depois da derrota do Inter, no dia seguinte: “o colorado até jogou bem contra o Palmeiras, mas parecia um time de terceira série jogando contra a oitava”.

Seguimos conversando e ele saiu com essa: “o futebol perdeu a graça”. De modo geral ele não estaria errado, mas o fato é que o futebol não perdeu a graça. O que perdeu a graça – e talvez foi isso que ele quis dizer – é assistir nossos times contra a turma lá de cima. Mas, não adianta, a gente continua com as promessas vazias de que não vamos mais sofrer por causa disso e no jogo seguinte estamos lá, de novo. A parte boa: nunca perder a esperança.

O que dá a impressão da perda da graça é o tamanho da régua. Quando olhamos para elencos milionários como os de Palmeiras e Flamengo, é natural que a comparação doa. Mas nem sempre é só uma questão de dinheiro, até porque o Grêmio também está com um orçamento alto, embora distante desses dois. Às vezes o que pesa não está na planilha, mas na expectativa que todos os anos se transforma em frustração.

Mas há dias em que a diferença aparece sem piedade. Como foi no meio da semana. O Grêmio pode até organizar a casa, o Internacional pode competir com dignidade, mas do outro lado sempre parece haver um elenco mais longo, um substituto que decide, um detalhe que pesa. A qualidade que sobra lá quando precisa, falta aqui. A sensação de “terceira série contra a oitava” é mais ou menos neste sentido e ela vira pauta recorrente, seja no bar, seja no WhatsApp.

Enfim, comentei com ele de que embora nos últimos tempos esteja sendo bem desanimador para nós, aqui, o futebol nunca vai perder a graça, até por que a lógica nem sem prevalece e o improvável volta e meia se apresenta para dar uma pausa na monotonia E é justamente essa possibilidade mínima, quase teimosa, que mantém a gente sentado no sofá, reclamando alto, mas acreditando em dias melhores. Esperança, lembra?

Quase encerrando, enviei uma mensagem em tom provocativo: “se o futebol perdeu a graça, por que tu ainda vê todos os jogos?”. Ele demorou um pouquinho e respondeu: “porque vai que melhora? ”. Encerrei com o bom e velho “kkkkk” e fui dormir. E ali, naquela esperança teimosa, eu tive a certeza de que a graça do futebol não apenas continua, mas seguirá por muito tempo.

 

 

PAPO DE FÉ

 

“Mas, acima de tudo, revesti-vos de caridade, que é o vínculo da perfeição”.

– Colossenses 3:14

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