“Só no Rio Grande, e somente em janeiro, foram praticados 11 feminicídios. Em todo o Brasil, o montante de assassinatos de brasileiras chega a cerca de 1.500. São quatro vítimas e 10 tentativas por dia” (CP 5/2/26). As estatísticas são assombrosas, tanto que começam a movimentar os Poderes Federal, Estadual e Municipal, unidos num pacto federativo a fim de dar um basta nesta epidemia assassina. Edson Fachin, Ministro do Supremo, conclamou a população para uma mudança na lei, mas que deve ser acompanhada de uma mudança de mentes e corações na sociedade.
Estamos todos nós chocados. Mas pergunta-se: quem está procurando as causas? Este casal, que vive no mesmo lar, por que estariam em guerra? E a tal ponto, que o marido empunha um revólver ou uma faca para tirar a vida da companheira. Brigas de marido e mulher, discussões, desavenças, ofensas são até normais em qualquer casal. Mas se chegar ao ponto de tirar a vida? E de uma maneira brutal, quase diria, animalesca?
Respeitadas todas as opiniões adversas, pretendo ir mais longe, nas causas deste trágico final. Começo lá no namoro. Como está se comportando a nossa juventude no relacionamento amoroso? Não quero ser carola e começar a elogiar o passado, porque a moçada de ontem também não era santa. Mas, tem-se a impressão, que hoje, ultrapassaram todos os limites. Quando um jovem sente simpatia por uma jovem, não demora que já se atracam nos abraços e nos beijos. E qualquer ser humano sabe que quando a chaleira esquenta, a água ferve. E se ninguém apaga o fogo, a fervura transborda, causando estragos fatais.
O tempo do noivado, aquele período que antecedia o casamento, e que era oficializado com a entrega das alianças na mão direita, caiu da moda. Agora, sem mais nem menos, a gente vai pro quarto, se joga na cama e até já se vive como papai e mamãe. E daquela fogueira inextinguível podem surgir as consequências inevitáveis: alguma gravidez totalmente indesejada, que frequentemente é abortada ou se dá prosseguimento com um filho que ninguém queria, que aconteceu e que virá ao mundo psicologicamente como um estorvo. E num ambiente que deveria ser um oásis de amor, convive-se num deserto de ódio. E se o relacionamento fica num extremo insuportável, resolve-se o problema com uma bala ou uma faca. E quem agora cuidará das crianças inocentes, anjos sem asas e sem pais?
Penso que a Escola, a Igreja e a Família deviam lançar um olhar mais demorado para a nossa juventude. O professor não ganha apenas para lecionar. O padre não se ordenou apenas para rezar Missa. Os pais não casaram apenas para botar filhos no mundo. A vigilância é uma virtude que foi meio aposentada. É certo que um dia seremos cobrados pelo que fizemos, e principalmente pelo que deixamos de fazer. A responsabilidade, nunca como nos tempos modernos, pesa sobre a nossa consciência. Ficar, aproveitar, gozar – são verbos totalmente em voga. Contudo, a realidade é implacável: quem hoje ri, amanhã há de chorar. E concordem ou discordem, mas a verdade é implacável: No lar que não mora Deus, o Diabo se instala.